Sandra Clemente
Sandra Clemente 21 de Dezembro de 2016 às 20:20

Os Natais que queremos ter

Não são as sugestões mais animadas, mas talvez sirvam para lutarmos pela vida que queremos ter. Feliz Natal, ou Festas Felizes, para todos!

Entre 19 de Novembro e 19 de Dezembro, sete terroristas islâmicos, quase todos recém-chegados da Síria, foram presos em França quando planeavam atentados no mercado de Natal dos Champs Elysees e na Dysneyland; um rapaz de 12 anos, radicalizado pelo Estado Islâmico, foi detido ao tentar explodir uma bomba de pregos num mercado de Natal na Alemanha e, finalmente, na segunda feira, o atentado terrorista já reivindicado pelo Estado Islâmico, noutro mercado de Natal na Alemanha, com 60 vítimas, entre mortos e feridos, passadas a ferro por um camião. Pouco antes um polícia turco assassinou o embaixador russo em Ankara a gritar "Alá é grande". "Sou um homem decente, tenho medo", dizia José Marti o herói marxista cubano. Legitimada pela esquerda, talvez não seja politicamente incorreto dizer que os europeus em geral decentemente têm medo e que é surreal a hesitação dos dirigentes políticos em enfrentar, em falarem francamente sobre os refugiados por exemplo, e agir. Há uma guerra contra a Europa, uma guerra contra o nosso modo de vida, que passa por destruir o Natal, por desestabilizar os sistemas políticos e a nossa vida. A extrema direita pode ganhar eleições, agora na Alemanha? Sejam competentes antes e talvez a questão não se coloque. Por isso, a minha primeira sugestão é de leitura do Submissão, do Michel Houllebecq. O livro já é de 2015, mas é simples de ler e entender a história da França islamizada subtilmente com a anuência do establishment. Por mim, acho que os dirigentes políticos agora têm de dizer qual a sua posição nestas matérias. Mais ainda porque sou mulher e sei qual é o papel que me está destinado. O meu voto doravante equacionará isto.

 

A segunda sugestão é de um filme. "Eu, Daniel Blake", a história de um carpinteiro que sofre um ataque cardíaco e de uma mãe solteira que caem nas malhas do Estado Social. Digo malhas, porque mostra o muito que o Estado se perdeu para manter a própria máquina do Estado e se desviou da sua razão de existir. Os episódios lembram muitos que todos conhecemos, ou de que ouvimos falar, em Portugal, com um nível de violência emocional superlativo. E é só um filme. Mais violenta é a vida de quem passa por isto. Da esquerda à direita é obrigatório ver para pensarmos no que andamos a fazer.

 

Não são as sugestões mais animadas, mas talvez sirvam para lutarmos pela vida que queremos ter. Feliz Natal, ou Festas Felizes, para todos!

 

Jurista

 

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