Leonel Moura
Leonel Moura 26 de janeiro de 2017 às 21:05

Os nossos Trumps

Quem conhece a América sabe que tem o melhor e o pior. Está cheia de gente civilizada, culta, criativa, empreendedora, dos melhores cientistas, dos maiores artistas. Mas tem igualmente o que há de mais atrasado, a ignorância profunda, o fanatismo religioso e racista.

Depois do melhor, com Bill Clinton e Obama, a América escolheu agora o pior. Vai sofrer com isso. Fechar-se, retroceder. Mas o resto do mundo também não ficará melhor.

 

Infelizmente, os Trumps abundam no planeta. Mais ditadores ou mais democratas estão em maioria. São muito poucos os países governados por gente civilizada.

 

Temos a sorte de viver num. Mas não faltam por cá os nossos Trumps. O atual PSD está cheio deles. No Governo alimentaram a ideia de que era preciso empobrecer o país para o tornar mais competitivo. Apesar do fracasso, e da evidência de que outra política é possível com melhores resultados, continuam a pensar o mesmo. Veja-se o caso da TSU. Passos Coelho não é contra a medida que beneficia os empresários, mas contra o aumento "excessivo" do salário mínimo. Excessivo? Aqui ao lado em Espanha são mais 200 euros, para já não falar da Alemanha, exemplo para tanta gente, onde o salário mínimo é de quase 1.500 euros. É claro que na Bulgária são 184 euros. Com os búlgaros sim, não somos nada competitivos. Mas quem o quer ser?

 

Por acaso até há. Recentemente tornou-se viral uma entrevista a um dos donos da Padaria Portuguesa. O homem disse que a questão do salário mínimo era pouco relevante. Aliás, a sua "organização" "só" pagava o "regime de transição", vulgo salário mínimo, a 25% dos seus "colaboradores". Se é este jargão que se ensina no ISEG, onde ele tirou um curso de Gestão, vou ali e já venho. Mas o pior foi o que se seguiu. O homem quer políticas de futuro, ou seja, poder despedir sem restrições, prolongar o horário de trabalho além das 40 horas e pagar o que lhe apetece. É, sem sombra de dúvidas, o nosso Trump da semana.

 

Não está só. A maioria dos empresários portugueses só consegue montar negócios com base nos baixíssimos salários. Argumentam que se deve à fraca produtividade. Esquecem contudo que a produtividade é precisamente a parte que lhes compete. A baixa produtividade do nosso tecido empresarial é da responsabilidade exclusiva dos patrões. Ponto.

 

Tenho assistido a uma obra de recuperação de um prédio nas traseiras do meu. A desorganização é chocante. O estaleiro é uma lixeira, já fizeram e desfizeram várias coisas, não terminaram o exterior, mas já estão a pintar as paredes interiores. Os trabalhadores são quase todos africanos, os capatazes, portugueses. Imagino que os africanos recebam o salário mínimo, em nome da baixa produtividade causada por uma obra mal concebida e pior executada pelas ordens aleatórias dos responsáveis. Já agora uma observação da minha janela indiscreta. Os africanos lavam-se e arranjam-se antes de ir para casa. Os portugueses não. Outro pormenor. Ninguém anda de capacete.

 

Agora que temos um Governo de esquerda, apoiado por toda a esquerda, seria a altura ideal para se discutir seriamente porque é que as empresas portuguesas só conseguem ser competitivas com salários baixos. Mais. Porque é que são tão mal geridas e como é que se pode superar essa evidente deficiência. Existem casos que demonstram que não é uma fatalidade. Nos têxteis, calçado, alimentação, TIC. É aprender. Ninguém é contra o sucesso das empresas. Mas não se pode aceitar que ele seja feito à custa dos que nelas e para elas trabalham.

 

Artista Plástico

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado surpreso Há 3 semanas

Grandes trampas já tens no teu partido,o PS,discipulos do chefe Sócrates

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Critica Há 1 semana

Efectivamente há ditadores em democracias, caso da nossa e por esse motivo, estamos atrasados, sobre endividados e a viver de esmolas. É o que governantes atrasados gostam, caso do Mário Soares, pai do endividamento nacional, concubinado com os comunistas que deram o pontapé de arranque..., ele e seus camaradas, caso do Sócrates, continuaram!
Ou não conhece a história da negociata de diamantes e marfim com a UNITA do Savimbi?

antero seguro Há 3 semanas

Obrigado Leonel Moura por em meia dúzia de palavras acessíveis a qualquer pessoa fazer um retrato (em alta definição) da triste realidade portuguesa. Clinton e Obama, as suas politicas estiveram sempre condicionadas a um Congresso consevador de maioria republicava.

Anónimo Há 3 semanas

Comecei a ler , mas vi logo que estava a desperdicar o meu tempo, e parei; entao o Clinton e o Obama e' que eram bons ? seria por darem mama ao mundo inteiro acomulando uma divida de 20< bilioes portugueses< de dolars? o Trump nao presta, nao tem tetas, nao da mama; tem outra coisa para os seus inimigos ma............!!!!!

Anónimo Há 3 semanas

Este é mais um pseudo intelectual que vive no centro de Lisboa de certeza, convive com a sociedade gay e afins que se convencem a eles próprios que são muito modernos e civilizados e que quem não tem o seu estilo de vida é atrasado e ignorante. No fundo são uns afetados e com complexo de superioridade, a esquerda esta cheia de espécimes destes. Este "artista plástico" tem o desplante de criticar quem arrisca e cria riqueza. Que fez este triste de produtivo na vida até hoje. Quantos empregos criou? Desconfio que terão sido 0 (zero).

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