Jorge Marrão
Jorge Marrão 21 de junho de 2017 às 20:14

Os novos moralistas

Vivemos uma sociedade marcada por episódios, sem desígnio, cínica, em que cada grupo de interesses faz "pela vidinha", mas que se lixem as mudanças que obriguem ao conflito social que naturalmente resultaria das reformas necessárias.

A FRASE...

 

"Louçã é um táctico cínico, que se move bem nos meios da burguesia urbana intelectual radicalizada e menos bem nos meios dos trabalhadores."

 

Pacheco Pereira, Público, 8 de Janeiro de 2011

 

A ANÁLISE...

 

A combinação das fugas do segredo de justiça com um justicialismo mediático e partidário, associados a uma ideia, ideologicamente vencedora na cultura pós-25 de Abril, de que todos os capitalistas são corruptos e exploradores por natureza, de que os políticos, em geral, estão todos embrulhados com os poderes económicos para tramar o povo, de que as instituições reguladoras são manietadas para não funcionarem e estão pejadas de incompetentes e amigos dos partidos, vai obrigar o país a seguir uma via populista e extremista nos debates para o futuro. Entretanto, vivemos uma sociedade marcada por episódios, sem desígnio, cínica, em que cada grupo de interesses faz "pela vidinha", mas que se lixem as mudanças que obriguem ao conflito social que naturalmente resultaria das reformas necessárias.

 

A direita que devia pugnar pelos valores de proteção do indivíduo e das empresas em oposição ao Estado tentacular com as suas pretensas engenharias sociais e dirigismo económico - este minado por corporações que nada mais fazem do que tentar perpetuar o seu "status quo" - embarca no politicamente correto de confundir política, moral e ética. Paralelamente,  não denuncia que a escola pública e outras instituições que moralizavam, tais como Igreja, Forças Armadas e família, foram destruídas por uma classe política modernizada pelos temas fraturantes e um funcionalismo público ativo que se entende como progressista e iluminado. A agenda foi e será a destruição das vetustas e reacionárias instituições conservadoras. A direita tem o que merece. Ao primeiro sinal foge às suas responsabilidades de defender um modelo de sociedade e de desenvolvimento com base numa economia de mercado e um Estado de Direito não controlado por agentes justiceiros, ou instituições reguladoras que atiram para cima da sociedade todos os ónus dos problemas, cuja agenda do politicamente correto ninguém escrutina.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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