Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 02 de novembro de 2017 às 20:05

Os novos nómadas

Protegidos, abrimos janelas para ver o mundo. Em finais do século XX, essas janelas passaram a chamar-se Windows. E o mundo começou outra vez a invadir-nos, com a rádio, a televisão, os computadores e a internet.

Em qualquer altura, em qualquer dia do ano, no Chiado em Lisboa ou na Ribeira no Porto, como em muitas outras cidades do país e do mundo, uma boa parte das pessoas, se não a maioria, está ao telemóvel. Grande parte acede a informação gerada e localizada em lugares distantes ou fala com pessoas que não estão nem no local nem na cidade onde elas estão.

 

Com os smartphones e os computadores portáteis, a nossa vida hoje corre ligada à vida de outros noutros locais. O mundo é a informação e a comunicação globais constantes. Andamos pelo mundo todos os dias. Não mais paramos.

 

Somos sedentários há uns 15 mil anos. Mas esse modo de vida já não é o que era há uns 20 ou 30 anos. Hoje somos nómadas de novo, informacional e comunicacionalmente; mas não só. A vida profissional assenta crescentemente na mobilidade e as pessoas que habitualmente viajam em lazer devem aproximar-se dos 1.000 milhões.

 

Depois de milhões de anos nómadas, caçadores e recolectores, há 15 mil anos parámos. Como Vilém Flusser, o filósofo checo-brasileiro, comentou, protegemo-nos do mundo com as paredes, parando o desconhecido, os ventos agrestes, as chuvas e o frio. Protegidos, abrimos janelas para ver o mundo. Em finais do século XX, essas janelas passaram a chamar-se Windows. E o mundo começou outra vez a invadir-nos, com a rádio, a televisão, os computadores e a internet. Hoje as paredes não param mais o mundo. "As casas são como um queijo suíço", comentou Flusser, "cheias de buracos." Somos nómadas de novo. A mobilidade informacional, profissional e social é a grande narrativa do século XXI. 

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FVV Há 2 semanas

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O articulista é um virtuoso escriba.

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