Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de junho de 2017 às 18:08

Os oráculos, May e Costa 

Em Delfos, na antiga Grécia, os desejos dos deuses eram determinados pela adivinhação. Mas muitos dos que procuravam as respostas dos oráculos traziam oferendas valiosas na esperança, compreensível, de que os deuses confirmassem o sucesso dos seus sonhos.

Muitas vezes os oráculos estavam abertos ao suborno. E os desejos encontravam aconchego nas previsões para o futuro. Não sabemos se há algum voo especial para Delfos por parte de quem, nos últimos dias, anda muito preocupado em saber se, daqui a dois anos, António Costa terá maioria absoluta e se fará alguma coligação ou acordo com o PCP ou o BE. Pelos vistos, à falta de temas mais importantes (o pagamento da dívida, as questões do turismo, o desemprego jovem, o futuro da Segurança Social e das reformas), é isso que inquieta muita da classe política e dos comentadores indígenas. Poderiam discutir se ganharemos o Mundial de Futebol, se pode haver tremoços "gourmet" ou se ainda haverá lisboetas em Lisboa em 2019, mas pelos vistos as prioridades da nossa elite são outras.

 

Não deixa de ser interessante notar que este exercício de adivinhação acontece no momento em que Theresa May, severamente ferida pelo seu erro de julgamento, vai ter de fazer uma coligação, com os unionistas irlandeses que são pró-europeus, para se manter (até quando?) no poder. Ao tornar os conservadores no partido do Brexit e da austeridade sem fim, May deu as cartas do tarot a toda a oposição. Contra o medo, estes votaram no optimismo. A vitória de 2016, do nacionalismo e do populismo, foi revertida e a sua agenda para o Brexit está moribunda. A UE sabe isso. E vai torturar May até ao limite, talvez até com requintes de malvadez. Mas a lição mais notória desta forma de justiça negra é que o discurso do medo e da austeridade (o de May) foi derrotado pelo do optimismo, que tirou os mais jovens britânicos de casa para irem votar. Nesse aspecto, António Costa e Marcelo já tinham mostrado porque o discurso de Passos Coelho era da Idade Média. Tal como o de May.

 

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5640533 13.06.2017

right-

Mr.Tuga 12.06.2017

Excelente.