Aniceto Viegas
Aniceto Viegas 17 de novembro de 2017 às 21:42

Os (outros) desafios da reabilitação

A reabilitação urbana apresenta-se como uma das mais relevantes oportunidades dos últimos anos para o setor da promoção imobiliária e da construção em Portugal. Esta é uma opinião generalizada no setor e com a qual concordo.

Mas, será suficiente para fazer regressar a Portugal os milhares de profissionais qualificados que abandonaram o país em busca de melhores condições de trabalho? Poderá o investimento crescente em projetos de reabilitação urbana, ou até mesmo a aposta no turismo, devolver a confiança a quem há tantos anos partiu e que se encontra numa situação profissional estável lá fora?

 

A crescente dificuldade em encontrar recursos humanos qualificados será efetivamente um dos grandes desafios que as empresas de construção enfrentam, e que interfere diretamente com a promoção imobiliária, especialmente quando nos propomos desenvolver um projeto de reabilitação urbana. Pela sua complexidade, minúcia ou recurso a novos produtos e materiais, reveste-se de uma complexidade técnica que exige conhecimentos especializados acrescidos e, necessariamente, diferentes dos exigidos numa construção de raiz.

 

Dados do Sindicato dos Trabalhadores da Construção revelam que há oito anos o setor empregava 900 mil profissionais e que hoje são apenas metade. A emigração para países como Alemanha, França ou Holanda, onde pela mesma função recebem até quatro vezes mais, torna o regresso a Portugal pouco convidativo.

 

Há três ou quatro anos, quando se começou a falar verdadeiramente em reabilitação urbana, eram outros os desafios que os promotores imobiliários enfrentavam – processos de licenciamento complexos, condicionantes próprias dos edifícios e das zonas históricas, falta de espaço para zonas de estaleiro ou a aplicação de regulamentos recentes a edifícios do século passado ou anteriores. Estes desafios mantêm-se, mas o mercado conseguiu ultrapassá-los, com a implementação de melhores práticas. A falta de mão de obra qualificada interfere diretamente com a qualidade do produto final, e é algo que não se pode esconder ou resolver com uma melhor gestão ou um melhor planeamento.

 

Funcionários qualificados geram produtos diferenciadores e um projeto de reabilitação bem-sucedido depende da perícia e conhecimentos de cada um dos trabalhadores. Esta condicionante é generalizada a toda a Europa, e um dos caminhos seguidos por outros países passou pela inovação e implementação de soluções técnicas alternativas. Este será, a nosso ver, o novo desafio que é colocado aos promotores, aos arquitetos, aos projetistas e às empresas de construção civil.

 

Diretor-geral da AVENUE

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub