Sandra Clemente
Sandra Clemente 02 de Novembro de 2016 às 20:10

Os piratas

Apesar de ser na Islândia que o Partido Pirata pode chegar ao poder, parece ser cá que a ribaldaria tomou conta do Governo.

Três licenciaturas falsas nos gabinetes com respetivos despachos no Diário da República e um ministro da Educação que assobia para o ar; manipulação dos quadros do Orçamento do Estado para 2017, para esconder o enorme desvio na despesa em 2016 e para vender mentiras aos portugueses: a prioridade na educação, anunciando um aumento de 3,1% quando na verdade se corta 2,7%, e um enorme reforço na saúde, anunciando um aumento de 3,7% que é de 1,1%. "Plasmado em números." Em ano de autárquicas, o Governo cria uma norma no Orçamento que desresponsabiliza os autarcas por má despesa pública, esquecendo os efeitos da austeridade.

 

O primeiro-ministro, que chamou a si todos os sucessos da Caixa, desresponsabiliza-se agora do compromisso assumido com os administradores de não entregarem as declarações de rendimentos no TC, como os outros gestores públicos: "No que diz respeito às obrigações do Conselho de Administração em relação ao acionista, o Estado, essas estão cumpridas." Não estão. Cavalgando vários exemplos, Fernando Esteves escreveu, na Sábado, um artigo violento contra os políticos: "Os políticos são fracos nos princípios e pequenos nos fins. Os adjuntos são minúsculos nos princípios e fraquitos nos fins - e talvez seja esse o segredo para que se deem tão bem."

 

A quem faz política custa ler isto. Porque se fica sem argumentos e sabemos que as pessoas concordam e acham que é tudo igual. Basta ver a abstenção. A falta de respeito, a indiferença, para com quem se governa, e de preocupação com um papel que é importante, é uma espécie de suicídio coletivo. Não me interessam as comparações descabidas tipo emailgate com watergate - o BE nisto é parecido com o Trump - porque se ficarmos presos a elas não esclarecemos nem avançamos. Não se pode deificar a política, mas simplesmente política não é pirataria.

 

Jurista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Jonas Há 4 dias

Quem é que se interessa, e sabe distinguir, um aumento real de 1.1% na Saúde, contra uns 3.7% prometidos? Política é não deixar quem ganha 530 euros, 4 anos à espera de uma operação às cataratas, enquanto quem lhe recusa um aumento de 30 euros, paga 5000 euros na clínica privada. O resto é blablabla

Anónimo Há 4 dias

5640533, O governo de Passos Coelho reduziu o numero de freguesias, veja o frenesim que não foi, agora imagine que reduzi se o numero de câmaras.

5640533 Há 4 dias

Quando a troika chegou mandou reduzir o número de câmaras. Passos Coelho, temendo a clientela, não o fez. Ainda vamos pagar mais pela sua falta de coragem.

surpreso Há 5 dias

Os islandeses roubaram as poupanças de muitos europeus,por decisão populista