Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 03 de outubro de 2017 às 20:38

Os políticos são torturadores?

Geralmente, nas análises aos resultados eleitorais, há políticos que tendem a ser "torturadores de dados". Falo na generalidade das situações, e não nestas eleições em específico.

Quando se fazem análises de situações, nomeadamente quando se utilizam dados estatísticos nessas análises, há uma expressão de que "os dados, se bem torturados, acabam por confessar". Ou seja, dependendo das perspetivas e análises feitas, por vezes consegue-se retirar a conclusão que se pretendia tirar desde o início antes de a recolha dos dados ser feita.

 

Geralmente, nas análises aos resultados eleitorais, há políticos que tendem a ser "torturadores de dados". Falo na generalidade das situações, e não nestas eleições em específico, pelo que não se procure retirar nenhuma análise política deste artigo. Aliás, até creio que houve uma grande unanimidade (dentro do possível no contexto político) na análise dos resultados eleitorais deste domingo, havendo pouca "tortura de dados".

 

As eleições autárquicas são um ótimo exemplo destas torturas, para se tentar definir quem foram os vencedores e os perdedores. Na análise do resultado em si, podemos usar vários critérios para definir vencedores, como o número de câmaras municipais ganhas; os vencedores em Lisboa e Porto, e se o foram ou não com maioria absoluta; o total dos votos nacionais; o número total de mandatos a nível nacional; o número de juntas de freguesia ganhas; e outros que se possam lembrar.

 

As alianças e algumas fortes candidaturas independentes dificultam a análise dos resultados, o que permite ajudar na "tortura".

 

Depois acrescem as comparações com as últimas eleições, em todos estes parâmetros, o que duplica os pontos de vista da análise. Podendo haver ainda mais pontos de vista se, usando algum argumento, se se considerar melhor comparar os resultados das eleições recentes com os de há oito anos.

 

Mas a prática desta tortura não se aplica apenas aos políticos, sendo que estas práticas são transversais à generalidade das muitas profissões que têm de lidar com este tipo de análises. É muito importante que as análises sejam bem feitas, pois más análises levam a más decisões. Recomenda-se que peçam análises a quem as sabe fazer bem para evitar cometer erros nas decisões, como já se viram muitos.

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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