David Bernardo
David Bernardo 08 de fevereiro de 2017 às 20:45

Os principais empresários do mundo querem deixar o planeta 

Este ano fui novamente à conferência DLD - Digital Life Design, em Munique. Este evento, só por convite, reúne todos os anos 1.000 dos principais líderes do sector, como Satya Nadella, CEO da Microsoft, para discutir o futuro.

Falaram-se de várias das principais tendências que vão marcar os próximos anos:

 

Educação - a educação atual está fora de época e tem de ser alterada. Entre os principais temas discutiu-se como devemos educar as novas gerações para uma idade de inteligência artificial e como alterar o processo de aprendizagem nas salas de aula com novas tecnologias.

 

Inteligência artificial e "machine learning" - existe claramente um "boom", as opiniões divergem, enquanto uns dizem que estamos muito avançados, outros dizem que ainda estamos na fase inicial. No entanto, as soluções e os produtos estão já a tomar várias indústrias.

 

Automóveis que se conduzem sozinhos - a tecnologia existe, agora é uma questão de melhorar. Os temas principais estão novamente a sair da tecnologia para entrar em perguntas como: "O que acontece se o carro perante a inevitabilidade de ter um acidente tiver de optar entre chocar contra uma criança ou com dois idosos?", "Como se alteram as cidades e as estradas?".

 

Trump era um tópico obrigatório, mas mais interessante do que discutir o que o senhor faz ou deixa de fazer, a discussão foi com o responsável por parte da campanha e como conseguiram os resultados através da análise de dados.

 

Todos estes temas são relevantes, no entanto, algo me chamou a atenção. Apesar de a  conferência ter sido  mais intensa e divertida do que no ano anterior, o tom mudou consideravelmente. De um grande entusiasmo sobre o futuro começam a surgir chamadas de atenção aos grandes impactos que estão por chegar e como nos prepararmos para eles. Os principais temas do sector digital e da tecnologia já não são técnicos. Os grandes desafios atuais são éticos, políticos e sociais. O que fazer se a automatização pode causar até 60% de desemprego nos próximos anos 20 anos (Uber e carros com piloto automático??). Fala-se de singularidade, o momento em que as "máquinas" irão atingir a inteligência humana nas próximas três a quatro décadas. Como lidamos com seres mais inteligentes do que nós? Fazer edição genética com CRISPR é relativamente fácil e pode trazer muitos benefícios, mas ao mesmo tempo permite "bebés por medida" algo não muito diferente do que Hitler tentou fazer com a raça ariana. O ambiente parece-se ter degradado em vários lugares de forma irreversível e os temas de cibersegurança estão piores. Alarmista?... Vários dos homens mais ricos e bem-sucedidos do mundo estão a apostar tudo em colonizar novos planetas (Elon Musk, Jeff Bezzos e Richard Branson, entre outros). O mundo também nunca esteve tão conectado, mas ao mesmo tempo, temos governos que querem regionalizar e que não conseguem sequer legislar o Uber.

 

Quando perguntámos a vários conferencistas, entre as mentes mais brilhantes do mundo e que nos apresentam, com dados, a razão pela qual as coisas estão mal, "qual é a solução?", na sua maioria respondem que não sabem, mas que são otimistas e que as coisas vão resultar. Quando cientistas começam a recorrer  à fé como solução, algo me começa a preocupar e muito.

 

Mais do que rezar e ser otimistas é hora de trazermos estes temas para a sociedade real e tomarmos responsabilidade perante o futuro.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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