Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de fevereiro de 2017 às 09:49

Os problemas da direita francesa nas presidenciais

As coisas não correm bem para a direita tradicional em França. Face à pressão da cada vez mais popular Marine Le Pen, aquele que se julgava ser um candidato imbatível, François Fillon, esbate-se nas sondagens. Fillon diz que não desiste.

E agora foi mesmo aconselhar-se com Nicolas Sarkozy. No "Le Monde", Françoise Fressoz diz: "Compreende-se melhor porque Nicolas Sarkozy é tão cuidadoso com as suas saídas de cena, mesmo vencido. Ele é indestrutível. Por duas vezes o antigo presidente da República fez reverência aos franceses para depois reaparecer no jogo. Aos 62 anos o antigo remoinho do seu partido, que tanto desejava as luzes, tornou-se Don Sarkozy, o chefe do clã, o homem que faz reinar a ordem, aquele que assegura a unidade da família, aquele a quem vêm beijar. (…) Tudo é subliminar. E o subliminar esteve no seu zénite na quarta-feira, 15 de Fevereiro, quando o carro de François Fillon atravessou o portão vermelho que dá acesso ao escritório de Sarkozy". Fillon foi-se aconselhar.

Para o centrista Jean-Louis Bourlanges, antigo vice-presidente da UDF, homem conceituado à direita, Fillon deixou de ser um travão a Marine Le Pen. Frefere agora Macron. E acrescenta: "Estou profundamente indignado com a atitude de François Fillon, que faz correr um risco enorme à sua área política por obstinação. Joga a roleta russa com a sua área política. Se se tivesse retirado e tivesse passado o lugar a Alain Juppé a direita tinha renascido. Em vez disso disse: não tenho de prestar contas aos jornalistas, nem à justiça, nem aos meus amigos, nem ao meu partido". A direita está desconfortável. Enquanto isso o PS reagrupa-se. Stéphane Dupont no "Les Echos" escreve: "Lembrem-se, foi no mês passado, há um século. A direita e o centro faziam bloco atrás de François Fillon, campeão incontestado do seu sector nas presidenciais. E o Partido Socialista estava ameaçado. No espaço de algumas semanas a paisagem política modificou-se. Os republicanos estilhaçaram-se".


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