Francisco Veloso
Francisco Veloso 05 de dezembro de 2016 às 09:30

Os "rankings" e a exportação do ensino superior

Foi conhecido hoje o resultado do "ranking" do Financial Times para as Top European Business Schools 2016. As escolas nacionais consolidam a sua posição, obtendo o melhor resultado de sempre.

Em particular, pela primeira vez, duas das três escolas portuguesas estão presentes dentro do "top" 25, juntando-se este ano à Católica Lisbon School of Business and Economics, que começou a fazer parte deste seleto grupo em 2013, a Nova School of Business and Economics.

 

É naturalmente motivo de grande orgulho para a Católica-Lisbon, escola que tenho o privilégio de dirigir, alcançar esta prestigiada avaliação. A faculdade foi pioneira em Portugal no reconhecimento do Financial Times, e tem liderado este "ranking"  a nível nacional de forma muito consistente. A posição #23 entre 90 classificadas, a melhor de sempre de uma escola nacional, é um resultado que espelha a qualidade e consistência da investigação e ensino da faculdade a todos os níveis.

 

Mas o reconhecimento conjunto de várias escolas é também espelho da capacidade e potencial do ensino superior nacional para se afirmar internacionalmente. De facto, se olharmos para as outras escolas que fazem parte do "top" 25, encontramos sete baseadas em França, cinco no Reino Unido, três espanholas (todas no "top" 10, note-se), duas vindas da Alemanha, Holanda e Suíça, e ainda uma italiana e outra belga. Vale a pena refletir um momento sobre esta composição, porque demonstra bem como o mercado europeu de educação a nível superior está neste momento aberto às escolas e regiões capazes de criar ofertas competitivas a nível internacional. Estando presentes as principais economias do continente, algumas regiões, com destaque para Portugal, têm um reconhecimento que vai muito além do que seria esperado dada a sua dimensão e desenvolvimento.

 

E se a excelência internacional é mais visível em economia e gestão, porque existem instrumentos como "rankings" internacionais que valorizam o que se faz neste domínio, existem várias outras áreas no contexto das universidades nacionais com percursos e potencial igualmente relevantes. Ainda no passado mês, foi anunciado que um consórcio liderado pela Universidade do Minho havia ganho um processo competitivo europeu, levando ao estabelecimento em Guimarães do Centro Europeu de Excelência em Medicina Regenerativa e de Precisão, um exemplo muito recente entre inúmeros outros que poderia citar.

 

Portugal tem o potencial único de estabelecer uma combinação distintiva na Europa entre a qualidade do ensino e investigação que oferece nas suas instituições, e muitos dos fatores que têm feito do nosso turismo uma fantástica história de sucesso.  No contexto europeu, as nossas principais cidades oferecem um conjunto singular entre custo, segurança, sol e temperaturas amenas, vida social e cultural, e o mar ali tão perto. Lisboa é também hoje vista a nível global como uma cidade em renovação e reinvenção, com uma fantástica dinâmica empreendedora. Se pensarmos que ingredientes procura um jovem entre os 20 e os 30 anos para passar os melhores anos da sua vida, é difícil de encontrar uma combinação superior.

 

Existe por isso uma grande oportunidade de fazer do ensino superior uma fortíssima indústria exportadora, atraindo talento para Portugal, e colocando o mesmo ao melhor nível global. Os resultados económicos podem ser muito significativos, como acontece, por exemplo, na Austrália, onde o ensino superior é já a segunda indústria mais exportadora. E fazendo parte das redes de conhecimento a nível global, estamos também a contribuir para que esse talento passe e fique no país e ajude a desenvolver a nossa economia, de forma direta e indireta.

 

A Católica-Lisbon irá continuar, com empenho e dedicação, a procurar ser referência neste processo de afirmação do ensino superior português a nível internacional. A evolução e liderança nos "rankings" será o espelho deste processo e dos seus resultados. Por isso, esperamos que nos próximos três anos possamos estar a referir o nosso pioneirismo também na entrada no "top" 20.

 

Diretor da Católica-Lisbon School of Business & Economics

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado JCG 05.12.2016

Devo ser eu que estou desalinhado, mas estranho esta tendência de internacionalizar o ensino superior. Especialmente o público; pago pelos contribuintes residentes em Portugal.
Acho que o sistema de ensino superior deve focar-se em oferecer formação - a melhor possível - aos portugueses e contribuir para o desenvovimento sócio-económico de Portugal. Esse deve ser o foco. E no domínio do contributo para criar uma economia mais equilibrada e sustentável peca e muito por defeito. Pode fazer muito mais.
Quanto ao ensino privado, aí quem quiser criar negócio e eventualmente até criar uma escola em Portugal para vender ensino e formação a estrangeiros, tudo bem, desde que o faça sem recurso aos impostos dos portugueses.
Estou aberto a colaborar com alguma solidariedade para com outros humanos com que partilho o planeta, mas de forma clara e voluntária - não encapotada - e justificável.

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JCG 05.12.2016

Devo ser eu que estou desalinhado, mas estranho esta tendência de internacionalizar o ensino superior. Especialmente o público; pago pelos contribuintes residentes em Portugal.
Acho que o sistema de ensino superior deve focar-se em oferecer formação - a melhor possível - aos portugueses e contribuir para o desenvovimento sócio-económico de Portugal. Esse deve ser o foco. E no domínio do contributo para criar uma economia mais equilibrada e sustentável peca e muito por defeito. Pode fazer muito mais.
Quanto ao ensino privado, aí quem quiser criar negócio e eventualmente até criar uma escola em Portugal para vender ensino e formação a estrangeiros, tudo bem, desde que o faça sem recurso aos impostos dos portugueses.
Estou aberto a colaborar com alguma solidariedade para com outros humanos com que partilho o planeta, mas de forma clara e voluntária - não encapotada - e justificável.

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