Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 30 de outubro de 2017 às 10:30

Os ursos precisam de mais do que pólvora seca

Os ursos não se devem entusiasmar facilmente, mesmo que Espanha seja um país à beira de um ataque de nervos. São precisos sinais convincentes que não se esgotem numa ou duas semanas e que, tecnicamente, quebrem suportes e que façam os touros pensar que algo terá mudado.

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Bastaram três dias de quedas no início da semana passada para que os ursos ficassem entusiasmados e inúmeras mensagens pessimistas inundassem os fóruns de Bolsa com a tão famosa frase "É agora que isto cai!". Frase aliás repetida várias vezes ao longo deste ano sempre que o nosso mercado tem dias menos bons.

A verdade é que não bastam dois ou três dias de quedas para que os ursos possam atirar foguetes. Durante muitos anos sucedeu o contrário – bastavam umas subidas para os touros dizerem que a crise tinha terminado e vinham aí anos dourados na Bolsa portuguesa. Um dia tiveram razão, mas antes falharam enésimas vezes durante muitos anos, com consequências muito violentas para as suas carteiras.

O que é que os ursos precisam para poderem ter reais ambições de assistir ao fim do ciclo de subidas na Bolsa portuguesa? É evidente que más notícias sobre a economia portuguesa seriam ouro sobre azul para os ursos mas, como normalmente acontece nos mercados, quando isso suceder já a Bolsa antecipou isso e já terá estado a cair há algum tempo.

Os ursos precisam sobretudo de ver a força dos vendedores a impôr-se no mercado. Que acções-chave para a Bolsa portuguesa como a Sonae ou o BCP fraquejem - a EDP tem estado relativamente contida - e quebrem suportes importantes. Até que isso aconteça, as quedas são meras retracções.

Precisam que haja sinal de alguma euforia na Bolsa portuguesa – noticiários a abrir com a Bolsa, com primeiras páginas do jornais a falar de mercados, com pequenos investidores a discutirem o PSI nos cafés.  Até que isso aconteça, o cepticismo impera e alimenta o "Bull Market".

Os ursos não se devem entusiasmar facilmente, mesmo que Espanha seja um país à beira de um ataque de nervos. São precisos sinais convincentes que não se esgotem numa ou duas semanas e que, tecnicamente, quebrem suportes e que façam os touros pensar que algo terá mudado. As tendências são demasiado fortes para serem deitadas abaixo com um ou dois tiros de pólvora seca.

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