Camilo Lourenço
Os riscos do tabu orçamental
12 Julho 2012, 23:30 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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Os factos e as análises das instituições nacionais e internacionais vão mostrando que muito dificilmente o défice orçamental de 2012 (4,5%) será cumprido. O Governo também já percebeu que ou faz alguma coisa do lado da receita ou o défice derrapa. Os cortes na despesa nunca são de efeito rápido e teriam um efeito limitado no OE 2012...
Vítor Gaspar, logo depois do último ECOFIN, deu a entender que vai haver mexidas no programa de ajustamento sem por em causa os seus timings; o primeiro-ministro afiança que nada está a ser feito para aumentar os impostos.

O que vai o Governo então fazer? Ninguém sabe. E embora se possa especular sobre eventuais medidas, a solução definitiva não será conhecida tão cedo. Porque qualquer solução pressupõe uma difícil negociação entre Governo e troika. Ora como a próxima avaliação está marcada para Agosto, isso significa que durante dois meses o ambiente económico vai andar ao sabor da "adivinhação". E da pressão…

Esperar por Agosto é um erro. Os mercados não gostam de indefinição, como se viu com o agravamento das taxas de juro a 10 anos depois de conhecido o "chumbo" do Tribunal Constitucional ao corte dos subsídios da Administração Pública. E para um país que precisa de regressar aos mercados em 2013, esta é a pior altura para indefinições orçamentais.

Moral da história: o Governo devia antecipar-se e começar a negociar já com a troika uma solução que possa ser rapidamente apresentada ao País e aos mercados. De uma cajadada matava dois coelhos: mostrava capacidade de antecipação e cortava cerce toda a pressão que PS, BE e PCP estão a fazer para que não se adoptem medidas de correcção da derrapagem orçamental.

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