António Moita
António Moita 20 de agosto de 2017 às 17:55

Pagar proteção a quem não nos protege

Os acidentes, as demonstrações de impotência, as falhas nos serviços, as notícias da descoordenação na utilização dos meios, repetem-se dia após dia tornando evidente a fragilidade do nosso modelo de organização.

O carvalho da Senhora do Monte, os incêndios que não acabam, a morosidade da justiça, a falta de médicos nos hospitais públicos, o desaparecimento de armamento em Tancos, e os abusos da EDP e das operadoras de telecomunicações entre tantas outras anomalias que enchem diariamente as páginas dos jornais têm um traço comum. A incapacidade do Estado em nos proteger. E deveria fazê-lo não apenas por ser essa a razão principal da sua existência como também porque somos nós que o pagamos.

 

É reconfortante verificar que temos um Presidente da República atento aos problemas das pessoas quando estes ocorrem. Mas seria ainda mais reconfortante saber que temos uma máquina no Estado capaz de prevenir as situações e eficaz a detetar e corrigir as suas múltiplas deficiências de funcionamento.

 

Como tantas vezes tenho aqui escrito, quero um Estado focado na boa aplicação dos recursos satisfazendo aquelas que são as necessidades coletivas como a segurança ou a justiça, que promova a melhoria das condições de vida e de bem-estar dos cidadãos em especial dos mais carenciados e que corrija assimetrias sociais e regionais.

 

O Estado dos casos de polícia, do atira culpas sempre ao próximo, e da desresponsabilização e da apatia não deveria merecer a nossa complacência. A exigência terá de ser cada vez maior e fazer-se ouvir de forma mais intensa. Os mecanismos de representação dos cidadãos não estão adaptados aos novos tempos e não nos garantem equidade, transparência e rapidez na tomada de decisão política. Talvez por isso seja urgente avaliar se temos a obrigação de pagar um Estado que não nos defende e que se engana todos os dias.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 2 dias

Wellcome to CAGADEIR*A tuguesa....

Impostos de 1º mundo!
Benefícios de 3º mundo....

Anónimo Há 2 dias

Pois, estou 100% de acordo. A questão é como resolver o problema ...