Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 07 de fevereiro de 2017 às 22:37

Palavras ineficazes

O marketing de conteúdos baseia-se numa relação de confiança entre as partes, assente num diálogo de iguais, marca e cliente, abandonando a velha posição de professor-aluno do tempo do anúncio tradicional.

Sucessivos testes comprovam que muitas palavras não funcionam na comunicação comercial dos dias de hoje. Vocábulos como "sempre" e "nunca" e outros estão lentamente a sair do léxico do marketing de conteúdos para não perturbar a fluidez da comunicação, para não perverterem a mensagem e para não suscitarem reações adversas desnecessárias e pueris.

 

"Sempre" e "nunca" soam a uma generalização exagerada, senão mesmo a falso, e levam a uma reação de busca de exceções que comprovem o excesso do termo e a leviandade de quem dele se socorre, pondo em causa a credibilidade da mensagem.

 

O marketing de conteúdos baseia-se numa relação de confiança entre as partes, assente num diálogo de iguais, marca e cliente, abandonando a velha posição de professor-aluno do tempo do anúncio tradicional.

 

Num diálogo escrito, se bem que apoiado na imagem e nas facilidades de reação das redes sociais, a ponderação e a exatidão terminológica emergem como características mais importantes que o exagero e a imoderação que caracteriza o anúncio unilateral destinado a captar a atenção em poucos segundos sem que o destinatário possa reagir, comentar e projetar a sua opinião para um largo número de destinatários.

 

Exageros verbais tendem a ser negativamente comentados e as redes sociais potenciam que tais opiniões sejam largamente escutadas em muito pouco tempo, minando a comunicação da empresa.

 

Ao olhar a comunicação de várias marcas portuguesas, verifica-se que apesar de existir já alguma atenção às palavras usadas, a tendência para o recurso a termos ambíguos ou desmesurados ainda se mantém como dominante.

 

Uma maior atenção ao discurso ajudará certamente muitas empresas a comunicar melhor com o seu mercado e a evitar mal-entendidos e questiúnculas contraproducentes.

 

Importantíssimo também para quem pretende exportar é perceber que palavras não deve usar e quais as que podem maximizar o impacto da comunicação.

 

Estudos de mercado que ajudem a despistar os vocábulos que geram reações negativas nos vários segmentos de mercado seriam muito úteis em Portugal.

 

Este seria um tipo de investimento apropriado para uma indústria, através da sua associação empresarial, e não típico de uma empresa isolada. Cooperação deste género não põe em causa a concorrência entre empresas e melhora a competitividade de todas.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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