Jorge Marrão
Jorge Marrão 13 de dezembro de 2017 às 21:00

Para onde nos leva esta República?

As nações não desaparecem. Perdem simplesmente a autonomia e o seu futuro é retardado. Até lá, vivemos legislaturas com episódios.

A FRASE...

 

"O risco de confundir a Raríssimas com a floresta."

 

André Veríssimo, Jornal de Negócios, 13 de Dezembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Como se distrai um povo? Nos tempos idos do antigo regime, o fado, o futebol e Fátima silenciavam as faltas de liberdade política, os erros estratégicos das suas finanças públicas e os da sua da economia. Percebemos tarde os erros de estarmos atrasados na História. E hoje como se faz? Com a economia europeia a recuperar, temos o futebol parlamentarista das claques diariamente martelado nos media, os debates parlamentares nas televisões oferecidos à noite com os mesmos argumentos utilizados na Assembleia da República, e pela manhã a democracia direta das "opiniões públicas" que professa sobre as falhas de Estado, de mercado e de moralidade das pessoas no exercício das suas funções.

 

Onde nos levará esta República com esta esfera pública? À resolução dos problemas, ou à anestesia, ou simplesmente ao adiamento do confronto sobre a sociedade que queremos ter para o séc. XXI? As admoestações da Presidência da República ao Governo pelas suas falhas, perdoáveis ou não, passaram a ser um hábito político. Jogamos um jogo perigoso. Fingimos que temos um país saudável, um escrutínio sério, e um desígnio nacional. Na essência, estamos a esconder os podres de um regime que não se regenera por manifesta incapacidade dos seus agentes em o transformar, e por uma população amedrontada pelo futuro, e que prefere viver o presente tal como nos é apresentado. Por intencionalidade, maldade ou ignorância? Não sabemos as razões, mas podemos adivinhar as consequências.

 

O problema nunca será a próxima crise, mas a falta de nos prepararmos para ela. Os empresários do regime dos juros baixos, da planificação estatal que prometia eternidade às empresas, e dos bancos que pactuaram com o regime político, em vez de o escrutinarem, aprenderam com o erro. Desapareceram. As nações não desaparecem. Perdem simplesmente a autonomia e o seu futuro é retardado. Até lá, vivemos legislaturas com episódios.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado Anónimo Há 3 dias

Repúblicas das Bananas como a Grécia e Portugal não tem credibilidade nem autonomia económico-financeira porque não tem tido políticas que permitam a criação, captação e fixação do melhor e mais adequado talento e capital disponível nos mercados globais de talento e capital. Sem flexibilização dos mercados laborais e fortalecimento dos mercados de capitais portugueses, Portugal nunca vai participar nas revoluções industriais como actor principal, secundário ou mesmo figurante. Será eternamente o expectador que chega ao evento sempre perto do acto final e por isso fica sem perceber o pouco daquilo que viu.

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Anónimo Há 3 dias

Pagar mensalmente a cada um de 3 directores de uma organização a quantia de 10 mil euros sem qualquer necessidade ou justificação económica ou pagar 1000 euros a 30 colaboradores com cargos não directivos que também ocupem um posto de trabalho efectivo sem qualquer necessidade ou justificação por estarem em demasia na organização ou por existir uma tecnologia muito mais económica, e por ventura mais eficiente, que os pode substituir, é exactamente a mesma coisa. Significa que terei menos retorno sobre o investimento enquanto accionista, mais contribuições e impostos enquanto contribuinte, preço mais elevado para pagar enquanto consumidor e menor remuneração enquanto ofertante de factor trabalho justificável com real procura de mercado no dado momento.

5640533 Há 3 dias

Nações desaparecem sim. Leva mais tempo.

Fernando Há 3 dias

Esta república, como outra qualquer, leva-nos para a morte. Não espere outra coisa, seja de que república for.

Mr.Tuga Há 3 dias

MUITO BOM!

Infelizmente é que que temos! O imbecilizado tuga só quer saber de fuitibóis 24h horas dia em todas as tv`s, "put*as e vinho verde"!
Admiram-se que tugaL esteja cada vez mais na cauda da Europa e da OCDE! Povão kamikaze.
Já dizia o poeta: "este sitio mal frequentado, merece-se!"

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