Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 29 de junho de 2017 às 19:00

Passos perdido

Na essência, o Estado não está a funcionar melhor. As falhas e a descoordenação reveladas naquele sábado trágico são más demais. Do Siresp às omissões da proteção civil, o rol de erros ainda está por apurar.

A tragédia de Pedrogão Grande é a prova dos factos que desmente a narrativa do país das maravilhas. Sim, o país sai do fundo do poço da recessão, o turismo e as exportações estão a correr muito bem. A invasão turística está a provocar uma valorização sem precedentes do mercado imobiliário, particularmente em Lisboa e Porto. Há muitas coisas a correr melhor, há mais emprego e as famílias têm mais dinheiro e muitos milhares estão satisfeitas porque recentemente receberam o cheque da devolução do IRS.

 

Mas na essência, o Estado não está a funcionar melhor. As falhas e a descoordenação reveladas naquele sábado trágico são más demais. Do Siresp às omissões da protecção civil, o rol de erros ainda está por apurar, mas do que se sabe desde os negócios em volta do milionário sistema de comunicação das forças de segurança, às escolhas políticas para os comandos, mostram o pior de um Estado clientelar que paga rendas a quem se instala e não cura do interesse dos seus cidadãos.

 

Outro acontecimento que revela que a estrutura do Estado está mais deslaçada é a suspeita de batota num exame de português do 12º ano. 74 mil jovens ficaram preocupados se a prova valia ou não. O ministro já se pronunciou, mas é assim tão difícil apurar sobre fugas num documento que em teoria só um punhado de pessoas conhecia? E não devíamos saber logo se a gravação da aluna a contar sobre a alegada fuga de informação era real, ou se é um mito urbano, divulgado após a realização do exame?

 

Num país que vive só de cosmética, depressa se nota que a pintura está estragada. Mas é mesmo urgente restaurar a autoridade e a confiança dos cidadãos no Estado.

 

Quando o governo vivia o seu pior momento e António Costa perdia a imagem do político a quem tudo corria bem, houve alguém a fazer tudo para que essa imagem se mantivesse intacta. Foi Pedro Passos Coelho que resgatou o primeiro-ministro no seu pior momento. As declarações do líder da oposição, enganado por um político local, sobre os alegados suicídios, não lembravam nem ao diabo, apesar de terem sido proferidas num local que dias antes tinha assistido ao inferno.

 

Passos pediu desculpa, mas já tinha dado o balão de oxigénio a António Costa. O antigo primeiro-ministro é um homem sério, resiliente, mas no actual momento não é o líder de oposição que o país precisa. Portugal deve muito a Passos. Geriu com honestidade e sucesso, apesar de todos termos contribuído duramente para isso, o processo de resgate. Graças a ele o actual Governo colhe dividendos da retoma, mas não está em condições de poder vencer Costa em eleições legislativas. E o país precisa de uma oposição forte, para que os governos se preocupem com a estrutura do Estado e a melhorem e não se limitem apenas a simpáticas e fáceis operações cosméticas que rendem votos, mas que apenas escondem o lixo debaixo do tapete.

 

Saldo Positivo: a solidariedade portuguesa

 

A onda de solidariedade dos portugueses perante a tragédia foi notável. Houve uma mobilização cívica impressionante que rendeu vários milhões de euros. O concerto em Lisboa transmitido por várias televisões e rádios é um exemplo dessa generosidade. Se os cidadãos tivessem um nível de exigência cívica semelhante à capacidade solidária, este país seria muito melhor.

 

Saldo Negativo: Constança Urbano de Sousa

 

Deve ser boa pessoa, emociona-se, mas a ministra da Administração Interna revelou nesta tragédia ser um erro de 'casting'. O exemplo de Jorge Coelho na tragédia da ponte de Entre-os-Rios, deveria ter servido de precedente. Ainda para mais este já é o segundo Verão com a tutela desta área. Não é uma questão de responsabilidade objectiva, trata-se de responsabilidade política.

 

Algo completamente diferente: "Sic transit gloria mundi"

 

O comentário escatológico de Salvador Sobral tem a virtude de ser verdadeiro. A euforia causada pelo jovem cantor levam a que multidões aplaudam qualquer coisa que ele faça. O problema é que a maioria das pessoas até pode gostar de qualquer porcaria, não gostam é que lhes digam o que isso é. Do alto dos seus 15 minutos de fama, Salvador foi irreverente e chocou algumas pessoas. Mas isso passa. Como ensinam os sábios romanos, tudo é transitório. "Sic transit gloria mundi". 

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comentários mais recentes
Mr.Tuga 30.06.2017

Bom.

Anónimo 30.06.2017

Foi pena n estar no govº o antigo 1º MTº e s colegas. Nunca diga desta água não beberei. Q fariam eles perante u catástrofe q nos atingiu c um terramoto? A n floresta está propícia a estas catástrofes. Vem de há décadas . Desde CS abandonou t o q devia s protegido. N será o PSD também culpado?

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