António Saraiva
António Saraiva 02 de janeiro de 2017 às 16:00

Paz e prosperidade, anseios simples e genuínos

Paz e prosperidade são os votos que tradicionalmente trocamos no final de cada ano. Paz e prosperidade são também, ao nível coletivo, os anseios simples, mas genuínos, dos povos.

Para que se tornem realidade, é necessário que se sobreponham a outros interesses. E é necessário que estejam presentes, na vontade dos líderes, como objetivos últimos das suas decisões.

Escolhi, para 2017, três temas, entre tantos outros que seriam possíveis, em que espero que esta vontade de paz e prosperidade se concretize em decisões concretas.

Ao nível mundial, espero que haja vontade de resistir às tendências protecionistas que parecem estar a alastrar, em resposta ao medo das consequências da globalização.

Porque acredito que o sistema de mercado é a melhor forma de promover o desenvolvimento, rejeito qualquer limitação drástica ao processo de globalização - que mais não é do que o alargamento do livre funcionamento deste sistema ao espaço planetário.

Mas, assim como ao nível nacional o funcionamento dos mercados requer uma regulação que previna abusos e perversões e promova a valorização pessoal de todos os cidadãos, também a globalização necessita regras claras, baseadas no respeito pelos valores universais da pessoa humana, pela sustentabilidade ambiental e pela concorrência leal, promovendo uma ordem económica internacional mais equilibrada e mais justa.

Sem regras, a globalização encerrará em si mesma as raízes da sua própria destruição.

Espero, pois, que em 2017 seja possível avançar na construção de uma nova ordem económica mundial que proteja a globalização dos seus excessos e a reforce como motor de uma crescente interdependência entre os povos que garanta a paz e a prosperidade.

Sem regras, a globalização encerrará em si mesma as raízes da sua própria destruição. Renovo o meu empenho em negociar com todos os parceiros sociais um acordo permanente para o crescimento e o emprego.
Na Europa, 2017 é um ano crucial de eleições e do início das negociações sobre as relações futuras com o Reino Unido.

O meu desejo é que dessas eleições nacionais saiam líderes capazes de contribuir para uma Europa mais coesa, onde os valores da inclusão e da solidariedade sejam reforçados, por forma a permitir uma resposta europeia aos anseios dos povos que a constituem.

Temos de encarar este momento de grande adversidade que estamos a viver como uma ocasião para dar uma nova ambição ao nosso projeto comum, para o centrar no essencial, no que realmente é percebido pelos cidadãos europeus como importante.

Quanto às negociações com o Reino Unido, será importante para todas as partes que decorram de forma calma, com pragmatismo e eficácia, de forma a reduzir a instabilidade.

Será também importante assegurar que as relações económicas entre o Reino Unido e a União Europeia se mantenham tão próximas quanto possível, sem que isso comprometa o processo de integração europeu e a integridade das quatro liberdades fundamentais do Mercado Único.

Em Portugal, o meu desejo para 2017 é que seja possível devolver à Concertação Social uma maior amplitude na sua intervenção, um novo dinamismo e acrescidas responsabilidades, contribuindo para políticas mais realistas e para as reformas de que o país carece, num clima de confiança e valorizando o contributo que dela pode advir para a paz social e a prosperidade.

Neste quadro, renovo o meu empenhamento em negociar com todos os parceiros sociais com assento na Comissão Permanente de Concertação Social um acordo abrangente para o crescimento e o emprego, que não se limite a temas como o salário mínimo nacional ou a questões laborais, mas englobe os necessários compromissos em torno de todos os fatores relevantes para a competitividade empresarial e para o relançamento do investimento.
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