Marta Melo
Marta Melo 04 de junho de 2017 às 19:30

Plano de Carreira v.1.2

Diariamente, cruzo-me com profissionais que me perguntam se é realmente importante definir um plano de carreira para alcançar um determinado objetivo profissional e, se sim, como o devem implementar.

Quando abordo este tema, lembro-me sempre de um amigo que desenvolveu toda a sua carreira numa multinacional de grande consumo. Tinha o seu plano de carreira perfeitamente definido: chegar à Direção de Marketing da empresa. Começou como Gestor de Produto, fez carreira na empresa assumindo diversas funções no Marketing, e finalmente, 10 anos depois, foi convidado a assumir o tão desejado cargo, ou seja, alcançar o objetivo máximo definido no seu plano de carreira. Vamos chamar-lhe o Plano versão 1 (v1).

 

Contudo, o mercado pregou-lhe uma partida. Nesse mesmo momento, foi surpreendido com uma oferta externa muito aliciante para uma empresa de Tecnologia, com forte componente digital, que era algo que, quando construiu o seu Plano v1, não era um tema.

 

A mudança era lateral, não significava incremento salarial, mas implicava trabalhar em projetos de carácter transversal à Organização, aprendendo um novo sector e trabalhando com equipas multiculturais e multidisciplinares em diferentes regiões. Perante tal desafio, tão distante do plano de carreira inicial, deveria aceitar? Efetivamente, apesar do risco que esta mudança podia representar, decidiu aceitar e hoje em dia sente-se totalmente realizado nas funções que desempenha e com os desafios que lhe têm sido apresentados ao longo destes últimos 5 anos. O mercado mudou e o seu Plano v1 adaptou-se, desenvolveu-se e transformou-se num Plano v1.2.

 

Este é apenas um dos vários exemplos com os quais me cruzei e que demonstra claramente que, apesar de ser importante ter um plano de carreira bem definido, não devemos deixar de avaliar as oportunidades que se colocam no nosso caminho. Essas oportunidades podem surgir dentro ou fora da empresa onde estamos e podem ser, sem dúvida, um catalisador da mudança, permitindo-nos fazer vários "upgrades" ao plano que definimos inicialmente.

 

Quando somos confrontados com uma situação destas, é importante sermos flexíveis e aceitar de forma natural a mudança. De há alguns anos a esta parte, muitas são as empresas onde as chamadas "carreiras em ziguezague" já fazem parte dos seus modelos de gestão. O mercado de trabalho por sua vez valoriza esse tipo de carreira, reconhecendo que o profissional exposto a esses desafios desenvolve outras competências, aprofunda o seu conhecimento da organização a diferentes níveis e aumenta a sua visibilidade e exposição a diferentes "stakeholders" internos e externos. Estas experiências são sem dúvida sinónimo de valorização e enriquecimento curricular.

 

Assim, se avaliarmos o currículo do meu amigo hoje, com uma experiência de 15 anos divididos entre duas culturas, organizações e sectores diferentes, face a um currículo que resultaria de ter cumprido o seu plano de carreira v1, claramente o primeiro será muito mais valorizado pelo mercado.

 

Respondendo à questão inicial, é importante trabalhar sobre um plano de carreira. Uma vez elaborado o plano na sua versão inicial, é indispensável mantê-lo atualizado, fazendo, sempre que necessário, os "upgrades" que o mantenham compatível com o mercado e que lhe permitirão alcançar o seu objetivo.

 

Diretora do Centro de Carreiras do The Lisbon MBA

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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