Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 23 de junho de 2017 às 00:01

Pobre país a arder

Demonizar o eucalipto num país que tem uma indústria tão importante é simplesmente estúpido, mas é fundamental criar corredores ecológicos que sirvam também para travões naturais das chamas.

A tragédia de Pedrógão Grande  revela a  fragilidade de um país incapaz de prever e minimizar riscos. Um pobre país.

 

Nesta latitude com temperaturas acima de 30 graus e humidade abaixo de 30% a probabilidade de haver fogos é extremamente elevada. Se houver trovoadas secas a possibilidade de acontecer um incêndio é de quase 100%. As previsões meteorológicas anteciparam em 72 horas a ocorrência desse fenómeno para a zona centro. A floresta ardeu e causou uma das maiores tragédias dos últimos 100 anos em Portugal.

 

Há muitas causas para esta tragédia ter acontecido e se as condições meteorológicas não são controláveis, embora sejam previsíveis, há outros factores que num país responsável não teriam facilitado a voragem das chamas.

 

Nem sequer é uma questão de leis. Já há legislação  suficiente, basta que se cumpra, desde a obrigação  de limpar a floresta, até aos corredores que deveriam separar as estradas nacionais da vegetação.

 

Num país em que só as áreas metropolitanas têm verdadeiro poder e riqueza, só se olha para o resto da paisagem quando acontecem estas tragédias. E só nestas ocasiões se nota o abandono progressivo destas regiões.

 

Em pouco mais de 90 mil quilómetros de território continental, a esmagadora maioria da população vive numa pequena faixa junto ao litoral. O resto é paisagem. Mas se a Sul do Tejo a dimensão da propriedade e o tipo de vegetação torna mais difícil a propagação das chamas, a norte deste rio o minifúndio sem retorno económico, que deixou terras ao abandono após um êxodo que desertifica aldeias, criou condições para tornar os incêndios cada vez mais perigosos.

 

Com tantos centros de investigação, já se sabe tudo. A tragédia é que não se faz nada e todos os verões centenas de bombeiros arriscam a vida a apagar fogos em áreas, que mais tarde ou mais cedo, voltam a ser pasto das chamas.

 

Se não houver condições económicas para preservar a floresta e manter populações no interior, estaremos condenados a incêndios cada vez maiores. Mas preservar esta floresta não é manter o que há agora.

 

É fundamental que se alcance um equilíbrio entre a biodiversidade, que também pode ser uma riqueza económica, e as necessidades da economia. Demonizar o eucalipto num país que tem uma indústria tão importante é simplesmente estúpido, mas é fundamental criar corredores ecológicos que sirvam também para travões naturais das chamas.

 

E tem de se apostar mais na prevenção e em minimizar riscos. Com tantos fundos comunitários é possível criar meios para ordenar a floresta e criar corpos profissionais, que estejam disponíveis para combater as chamas no Verão e no Inverno fazer tudo para evitar no estio os fogos atinjam proporções dantescas.

 

Saldo positivo

 

A economia está mesmo a crescer e com um registo saudável. As exportações e o turismo são um bom motor. Mas o desafio é manter um ritmo a um nível acima dos 2,5% por muito tempo. Se o crescimento do PIB perder gás no próximo ano é mais uma oportunidade desperdiçada. Oxalá, o Banco de Portugal seja obrigado no próximo ano a repetir as revisões em alta que já fez este ano. Mas isso depende da evolução real  PIB e não da boa vontade das previsões.

 

Saldo negativo

 

Jorge Mendes, o superagente do futebol, um verdadeiro rei midas deste desporto, habituado a  intermediar as maiores transações de futebolistas,  está na mira do fisco espanhol, que começou a atacar as principais estrelas da sua constelação. O cerco chegou a Mourinho e Ronaldo. Em comum há empresas ligadas ao empresário que serviam para evitar pagamentos de impostos que a administração tributária espanhola reclama.

 

Algo completamente diferente

 

O Portugal pequenino, dos esquemas, bafiento, satirizado por Alexandre O'Neil resiste: "Ó Portugal, se fosses só três sílabas, linda vista para o mar, Minho verde, Algarve de cal, jerico rapando o espinhaço da terra, surdo e miudinho, moinho a braços com um vento testarudo, mas embolado e, afinal, amigo".  Leiam o poeta, que é genial e conhecia bem a alma deste País. Por isso concluía: "ó Portugal, se fosses só três sílabas de plástico, que era mais barato!"

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