Paulo Carmona
Paulo Carmona 15 de fevereiro de 2017 às 19:41

Pobres, mas felizes…

Se forem países, a crescer o dobro que nós como a vizinha Espanha, temos um problema… ou inventamos uma crise só nossa, a troika que ninguém chamou, azar, etc.

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A FRASE...

 

"Economia portuguesa cresceu 1,4% em 2016."

 

Jornal de Negócios, 14 de Fevereiro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Portugal cresceu um poucochinho melhor do que o previsto e um poucochinho menos do que no ano passado. Mas é melhor do que nada…

 

Os nossos salários são baixos, porque produzimos pouco (produtividade do país), mas vai havendo boa comida, sol, amigos e pessoas agradáveis. Somos um país desejado como destino turístico, campeões de futebol, o fado é Património da Humanidade e o Papa vem a Fátima…

 

Dá a entender, pela escolha de modelo de sociedade, que preferimos esta vida simples de pão e circo ou dos 3 F, a coesão social e a estabilidade, mesmo à custa do desenvolvimento económico. Uma escolha legítima, mas não isenta de riscos…

 

O primeiro risco é que esse modelo de pouco crescimento não suporta a dívida que o sistema político gerou. O segundo risco é de o rendimento e a riqueza serem sempre valores relativos, comparáveis com outros. Ou seja, nós vivemos bem até que outros países ou indivíduos cresçam ou enriqueçam mais do que nós, obrigando-nos a questionar a nossa mediocridade ou levantar inveja. Se forem ricos, em Portugal, temos sempre a tese de Mariana Mortágua, entretanto desaparecida após essa revelação, de ir buscar a quem tem, se enriqueces pagas aos que não querem ou não o conseguem. Se forem países, a crescer o dobro que nós como a vizinha Espanha, temos um problema… ou inventamos uma crise só nossa, a troika que ninguém chamou, azar, etc.

 

E quem não está contente porque quer trabalhar mais e ganhar mais, ou mesmo apenas trabalhar, pode sempre emigrar…

 

Podemos continuar neste modelo de "pobre, mas feliz", pagando juros duma dívida elevada, e sermos em 10 anos o país mais pobre da Europa. Ou assumir um modelo de economia mais competitiva, pensada para a captação de investimento produtivo de emprego e riqueza, mas relativamente inconstitucional, destruindo criativamente algumas ineficiências na sociedade, na economia e nas empresas. Será que queremos pagar o preço de crescer mais de 1,5%?

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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