Adolfo Mesquita Nunes
Adolfo Mesquita Nunes 16 de janeiro de 2017 às 20:20

Podemos sempre confiar nos "dois pesos e as duas medidas"

Desde a primeira hora que António Costa e o PS deram mostras de não querer negociar as linhas estruturantes da governação com o PSD e o CDS, num sinal de orgulhosa auto-suficiência.

Assim sucedeu após as eleições, em que o PS encenou uma negociação com os partidos da coligação para depois surgir com a actual solução governativa. Uma encenação que não causou indignação, antes provou o talento negocial do primeiro-ministro.

 

Assim sucedeu quando, no dia em que foi indigitado, o primeiro-ministro garantiu que não precisava do apoio do PSD. Uma proclamação que não causou comoção, antes provou a dispensabilidade dos que governaram durante o resgate.

 

Assim sucedeu quando o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista, afiançou que aquilo que o Governo está a fazer era impossível de ser feito com PSD e CDS. Uma afirmação que não causou espanto, antes provou a coerência desta maioria.   

 

Há muitos exemplos no mesmo sentido: esta maioria representa um corte importante, desejado, com as pérfidas políticas de PSD e CDS, rumo a um tempo sem austeridade.

 

E assim voltou a suceder no acordo de concertação social, para o qual nem PSD nem CDS foram tidos nem achados. Um gesto que não causou surpresa, antes provou que este Governo não precisa dos partidos à sua direita para nada.

 

E eis senão quando se percebe que o Governo assinou aquele acordo sem garantir o apoio parlamentar, uma vez que Bloco e PCP esclareceram que só sustentam metade do acordo.

 

E a outra metade, a metade da redução da TSU das empresas, a metade que o PS abjurara no passado?

 

Essa metade, para a qual o Governo não tinha o apoio das esquerdas, não motivou qualquer negociação, qualquer aproximação à tenebrosa e austeritária oposição.

 

E para quê sentar à mesa o PSD e o CDS? Para quê confirmar previamente com estes o acerto da medida? Para quê aceitar que PSD e CDS pudessem apresentar propostas para o seu apoio, como faz a esquerda, como se faz em qualquer negociação?

 

Para quê tudo isso, para quê dar-lhes essa oportunidade, se é sempre possível confiar nos "dois pesos e duas medidas" e resolver tudo com habilidade?

 

Que pesos e medidas? Aqueles que esquecem a incoerência do PS na TSU, que esquecem a violação do acordo com Os Verdes, que esquecem a assinatura do acordo de concertação sem reuniões com a oposição, que esquecem as declarações de auto-suficiência desta maioria, que se dedicam a colocar na oposição o ónus de viabilizar um acordo que uma auto-suficiente maioria não conseguiu aprovar e para a qual a oposição nem sequer foi chamada a colaborar.

 

Não estou a defender a lei de Talião, como quem ache justo responder à incoerência com incoerência, embora ache estranho que só se denuncie a suposta incoerência de um dos lados, omitindo as reviravoltas prévias do Governo.

 

O que estou a defender é que este Governo mostrou, e desta vez sem poder, que desconsidera a sua oposição e que, pior ainda, confiando nos dois pesos e duas medidas, que aliás já por aí circulam, nada de consequente fez para conseguir aprovar o acordo de concertação que assinou.

 

Tendo em conta o que está em causa, um aumento de salário mínimo sem sustentação numa medida que o compense, é tudo isto uma irresponsabilidade?

 

Claro que é, mas da parte do Governo, que achou que podia mudar de opinião, violar acordos à esquerda, ignorar a oposição, assinar um acordo sem apoio, e no fim, vitimizando-se, confiando nos elogios à sua habilidadezinha, culpar a oposição por não reconhecer a genialidade de uma quadratura do círculo que não existe sob o aplauso geral dos que acham que governar é uma sucessão de habilidades.

 

Advogado

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mais votado Anónimo 17.01.2017


A ladroagem de esquerda

PS LADRÃO, em ação (sempre a roubar os trabalhadores do privado).

COSTA LADRÃO aumenta impostos, aumenta dívida, aumenta despesa com salários e pensões dos FP-CGA…

e corta em tudo o resto!

comentários mais recentes
ku do coumuna 17.01.2017

o homem tem tomates de razao, os que escrevem direitalhas, pafiosos, rennees, são à medida do seu mestre ...poucochinhos

Os insultos e as patifarias da direitralha 17.01.2017

Este gajjo e a imagem chapada do chefe Cuelho. Gente sem vergonha nem principios.Hipocritas ate ao miolo. Vem praqui miar contra o gov do PS por este ignorar o ppd! Como se nao fossem os portugueses que cada vez mais os ignoram!

Demagogos Populistas 17.01.2017

Nem mais nem menos. A hipocrisia não tem limites com o idiota-em-pé do Poucochinho Golpista. Um verdadeiro demagogo populista que acha que governar é andar por todo lado com um sorriso idiota tipo emplastro.

Anónimo 17.01.2017


A ladroagem de esquerda

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COSTA LADRÃO aumenta impostos, aumenta dívida, aumenta despesa com salários e pensões dos FP-CGA…

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