Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 05 de fevereiro de 2018 às 22:40

"Populismos e ideologias"

O histrionismo apenas serve o interesse de agravar o fosso entre extremos! Quer a sociedade civil - cidadãos e empresas - tomar a dianteira e disciplinar a política e os políticos nesta discussão?

A FRASE...

 

"Se não dermos este passo que é essencial, que fez parte da essência do acordo em 2015, se não o fizermos, estamos a defraudar as expectativas populares de que uma nova maioria política trouxesse uma melhoria das condições de vida para os trabalhadores."

 

Catarina Martins, Jornal de Negócios, 4 de Fevereiro de 2018

 

A ANÁLISE...

 

A The Economist desta semana traz um excelente artigo sobre populismos na Europa ("A dangerous waltz", pp. 17-19). Não sendo uma novidade, o que mais impressiona, pelo grafismo, é o mapa da distribuição dos partidos populistas nos países da União Europeia dentro do espectro político que vai da esquerda à direita (pág. 19), associado às intenções de voto arrecadadas.

 

No caso de Portugal e Espanha, os movimentos populistas estão colados à família política da esquerda, por contraponto ao Reino Unido em que os mesmos têm uma conotação de direita. França e Alemanha distribuem populismos entre esquerda e direita e, em Itália, existe uma clara preponderância de populismos no centro do espectro.

 

Ainda para fazer ponto do artigo de hoje, é importante acrescentar às declarações da coordenadora do Bloco de Esquerda que o partido "nunca foi tremendista" - leia-se, nunca exagera os aspectos mais crus da vida - e manifestou sempre disponibilidade para "chegar às melhores soluções técnicas". "O PS fará as suas escolhas", considerando que "a ambiguidade é uma não escolha e seria desastrosa do ponto de vista económico".

 

A situação é bem reveladora da insatisfação que as políticas económicas de sucessivos governos fizeram germinar nas sociedades ocidentais. As assimetrias na distribuição de rendimentos, os receios sobre a precariedade no emprego, ou as ameaças à cultura e História nacionais são apenas algumas das bandeiras agitadas, parecendo fazer crer (erradamente) que a ideologia não importa nas escolhas.

 

A disputa pelos votos dos excluídos, explorando os receios dos cidadãos, deixa de fora a discussão sobre as liberdades individuais e, em especial, o lugar reservado aos mercados; o mecanismo economicamente mais eficiente para coordenar vontades. Verdadeiramente, com o debate neste plano, não se discute o modo de alcançar uma sociedade inclusiva, justa e equilibrada. O histrionismo apenas serve o interesse de agravar o fosso entre extremos! Quer a sociedade civil - cidadãos e empresas - tomar a dianteira e disciplinar a política e os políticos nesta discussão?

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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