Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 27 de dezembro de 2017 às 20:40

Por convicção

Os temas de que quero aqui falar hoje não são matérias que me tenham surgido por causa de uma candidatura, de uma circunstância ou de uma oportunidade.

Sim: inovação e reorganização do território.

Quem tem a paciência de me ler desde há anos saberá a importância que lhes dou. Quem tiver tido a maçada de ver e ouvir a minha declaração quando apresentei a candidatura, a 22 de Outubro, em Santarém, sabe o tempo que lhes dediquei. Esse é, aliás, um momento importante de se avaliar a genuinidade do que cada um diz quando anuncia a pretensão de liderar um país: a coerência das propostas que elenca com o que propôs antes e propõe depois.

 

Vem tudo isto a propósito do que tenho escrito neste espaço, durante anos, nomeadamente, quanto à importância de Portugal assumir a inovação e a investigação como desígnios nacionais. Ainda agora, durante os anos em que liderei a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, fiz nascer, como prioridade, vários projetos nessas áreas e criei mesmo as maiores bolsas para investigadores nacionais. Há muitos privados que se convenceram faz tempo de que é esse o caminho. Convenceram-se e fazem-no alcançando resultados extraordinários a nível internacional.

 

Outro tema assumo, pelo menos há duas décadas, como prioridade absoluta: o reequilíbrio do território, a importância de se trabalhar para a fixação de pessoas, serviços e empresas nas áreas de baixa densidade populacional. Por mim, já na década de 90, deslocalizei serviços da área da cultura para o interior; na década anterior tinha deslocalizado secretarias de Estado; procurei, como primeira decisão enquanto primeiro-ministro, garantir a existência de centros de tratamento por radioterapia em diferentes regiões; reuni o Conselho de Ministros por todo o país. Como líder parlamentar, em 2007, levei ao Parlamento o combate à desertificação; com o Fundo Rainha Dona Leonor, na Santa Casa, pela primeira vez em séculos, criou-se o instrumento financeiro de apoio às Misericórdias de todo o país.

 

Esta tem sido a minha luta, a minha prática e o caminho que trilhei e concretizei por todas as instituições em que já tive a honra de trabalhar. Por isso, e como não poderia deixar de ser, fiz constar estes temas como eixos fundamentais de desenvolvimento do país no programa "Um Portugal em Ideias", que apresentei no passado dia 17 de dezembro. Proponho agora o que sempre defendi para o meu país.

 

Curiosamente, também António Costa, na mensagem de Natal, falou nesta matéria. Não elogiei. Constatei. Este ano, com as tragédias que houve em Portugal, havia mais do que razão para escolher o assunto. Mas, por mim, o tema merece atenção cimeira desde sempre. A defesa do que é importante para o país deve alicerçar-se em convicções e não estar dependente do momento em que falar delas nos faz ficar bem na fotografia!

 

Escrevo estas palavras para vincar bem que a política precisa também de inovação. Quando o desencanto continua a crescer, não podemos aumentá-lo escolhendo as atitudes e os modos de estar que censuramos e que não resolvem os atávicos bloqueios ao desenvolvimento e progresso de Portugal. Queremos um país que sinta e entenda os desafios da contemporaneidade, que não tenha horror às artes e à ciência, que perceba a importância de juntar talentos.

Os mesmos, seja qual for o protagonista de cada momento, já fizeram perder muito tempo. Fizeram algum bem? Algum. Mas é preciso mais. Muito mais capacidade de fazer bem às pessoas. Porque, "ao fim e ao cabo", é disso que a política deve tratar.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentários mais recentes
João Forte 20.01.2018

Foi Santana Flopes que assinou um papel onde constava a venda da língua portuguesa a terceiros, na minha opinião num acto de traição à pátria. Esta derrota foi mais uma, que nem castigo.

Anónimo 28.12.2017

Santana, não fora pertenceres ao Partido dos ladrões do BPN e até simpatizava contigo ...
Tudo aponta, porém, para que, após a eleição do Rui Rio, como novo presidente do PSD, vás continuar a andar por aí ...
Deixa lá.
Depois vamos beber um copo, mas sem falar em política ...

Ó Santana, 28.12.2017

Estás a pregar no deserto!
O conceito convicção foi eliminado do léxico político, foi substituído por conceitos do género, saquear e pilhar o contribuinte Tuga. É a ditadura fiscal que transforma os Tugas em escravos para suportar todas as despesas do estado.
Políticos=saqueadores do séc.XXI

Tentando Perceber a Política 28.12.2017

Gostava saber éra, q Política ele, quer implementar no PSD, isso é que será importante para o PSD e os Militantes decidir o seu Voto, Continua na Política Neoliberal ? Retoma a Social Democracia ? Encosta mais á Direita ? Á Esquerda ? Já Foi PPD, virou a PPD/PSD, pensa agora virar PPD/PSD/CDS ?

ver mais comentários