André  Veríssimo
André Veríssimo 29 de setembro de 2017 às 09:41

Porque sai Schäuble?

Wolfgang Schäuble deixará de ser ministro alemão das Finanças para assumir o cargo de presidente do Bundestag. O homem cujo poder rivalizava com a chanceler sai de cena. Segundo a imprensa, a pedido da própria.

O que explica a decisão? Matthew Karnitsching escreve no Politico que "a saída de Schäuble, de que já se especulava antes da eleição, pode sinalizar que Merkel está preparada para usar como moeda de troca o poderoso Ministério das Finanças nas negociações para uma coligação com os liberais (FDP) e os Verdes. Os líderes do FDP nunca fizeram segredo do seu desejo em controlar o ministério".

"É o fim de uma era", escreve Mehreen Khan, no Financial Times, que encontra no frouxo resultado eleitoral de Merkel uma razão para a saída do ministro das Finanças da Zona Euro que mais tempo esteve no cargo. "Qualquer que seja a resposta à especulação em Berlim, a sua saída demonstra como o resultado deixou a chanceler Angela Merkel fragilizada. "Schäuble era um europeísta apaixonado, mas era também um contraponto conveniente de Merkel em Bruxelas, imprimindo uma linha dura em todos os assuntos , desde as regras orçamentais da Zona Euro à saída da Grécia. Esta dupla, de sal e pimenta, termina numa altura em que o debate sobre a União Monetária passa da crise à consolidação".

Nos países do Sul da Zona Euro, a saída do ministro alemão das Finanças causará em muitos regozijo. Mas será bom temperá-lo. "Entre Schäuble e um eventual sucessor proveniente das fileiras dos liberais, o primeiro tinha ao menos o mérito de ser um europeísta da estirpe de Kohl e dos líderes de uma geração empenhada em construir uma Alemanha europeia em detrimento de uma Europa alemã", lembra Manuel Carvalho no Público. Será que ainda vamos ter saudades do pai do excedente orçamental alemão?


A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
Saber mais e Alertas
pub