Camilo Lourenço
Porque Passos não devia hostilizar a UGT
19 Abril 2012, 23:30 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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Pouca gente percebeu o porquê dos ataques violentos à UGT quando a central sindical anunciou que iria assinar o pacto social. A começar pelo próprio Governo...
Pouca gente percebeu o porquê dos ataques violentos à UGT quando a central sindical anunciou que iria assinar o pacto social. A começar pelo próprio Governo...

Na altura, recorde-se, o PC e a CGTP, a sua correia de transmissão (coadjuvados pelo Bloco de Esquerda), atiraram-se à UGT, acusando-a de retirar direitos aos trabalhadores. A violência foi tal que o próprio João Proença teve dificuldade em lidar com a pressão.

A estratégia era clara: encostar Proença à parede, tentando condicionar a sua acção futura. Proença, que não é ingénuo, percebeu a jogada. E na primeira oportunidade que teve sacudiu a pressão: esta semana ameaçou o Governo que se não tomasse medidas para apoiar o crescimento rasgaria o acordo de concertação social.

Perante isto como reagiu o Governo? Passos Coelho, em Londres (note-se!), fez o que nunca deveria ter feito: atribuiu a agressividade da UGT à proximidade com o 1º de Maio....

Disparate. Grosso! Se há coisa que Proença não precisa agora é de ficar isolado na arena. Sem possibilidade de recuo. Tudo o que o primeiro-ministro devia ter feito, ao ser confrontado com a reacção de Proença, era dizer: "Nada mudou. Vamos continuar a trabalhar com a UGT para criar um clima de paz laboral, que nos distinga de outros países. Sem paz social não há investimento e sem investimento não se criam postos de trabalho". Ponto final: nem mais uma palavra.

Talvez seja altura de Passos Coelho perceber que um pouco de comedimento verbal (à la Álvaro Santos Pereira) só lhe fará bem. A ele e ao Governo.



P.S. - As forças policiais ainda não perceberam que há grupos dispostos a armar confusão. Para criar instabilidade social. É pena...
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