Fernando  Sobral
Fernando Sobral 10 de Janeiro de 2017 às 00:01

Portugal: destino Índia

A Índia pode ser um íman para as empresas portuguesas. Ao mesmo tempo pode ser o investidor estrutural que necessitamos. António Costa tem condições para ser a ponte perfeita entre os dois países. 

A relação entre Portugal e a Índia tem sido feita muitas vezes de pura nostalgia e pouco de sensatez e realismo. Talvez por isso a relação económica (e já não falamos da cultural) entre os dois países tem sido muito escassa. E isso tem sido um erro de Portugal. A Índia não se reduz a Goa: é a maior democracia do mundo e uma das maiores economias globais. A visita de António Costa à Índia, onde é recebido como um filho pródigo devido às suas ligações familiares, é uma oportunidade de ouro para finalmente aproveitar esta relação de séculos no presente. E se da Índia podem vir investimentos estruturais, de que Portugal necessita urgentemente, aquela vasta economia pode ser fulcral para empresas portuguesas. Algumas já ali operam, mas continuam a ser poucas e o volume de negócios entre os dois países é ainda escasso. Muitos podem encontrar um espaço na gigantesca Índia, onde uma nova classe média está a emergir e onde o proteccionismo económico está a desaparecer. António Costa tem todas as condições para ser (com o apoio de Narendra Modi) uma ponte fulcral numa nova fase de relações entre Portugal e a Índia. Algo que possa diversificar os nossos parceiros externos e aproveitando a boleia de uma economia que neste momento cresce mais do que a chinesa. E nesse aspecto a simpatia política e emocional pode desbloquear portas que muitas vezes estiveram encerradas.

 

Esta aproximação económica pode a seguir ter repercussões na vida cultural e social. Até porque há um vasto mundo de goeses que têm continuado a ser uma ponte fulcral entre os dois países. Afinal é impossível apagar a História: Goa foi central no império colonial português, e a Coroa chegou a imaginá-la como uma réplica oriental de Lisboa. E durante muito tempo, por razões políticas, estratégicas e religiosas, foi a capital do império no Oriente. Mas o declínio iniciado no século XVII estendeu-se à cidade de Velha Goa, abandonada, e que simbolizaria o toque de finados do império português. Essa é uma história notável, e que hoje faz parte de um património conjunto. Outros desafios se colocam, num mundo onde a globalização reforça ligações económicas. A Índia é mais do que um desafio para Portugal e para as suas empresas. Pode ser também uma fonte de investimento estrutural no nosso país, contrabalançando o de outros países. Saber utilizar este momento histórico é um desafio que agora se coloca a Portugal.

 

Trump/Japão: entre a política e os interesses económicos

 

Durante muito tempo o Japão foi o mais forte aliado dos Estados Unidos na Ásia. Mas os tempos estão a mudar. E a aparente política proteccionista que o próximo Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça seguir, poderá causar embaraços nessa forte ligação. Apesar das tentativas de aproximação do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ao futuro ocupante da Casa Branca. Na semana passada, Trump avisou a Toyota que poderá sofrer fortes represálias se escolhesse fazer uma nova fábrica de carros no México. A sua mensagem no Twitter causou perdas fortes na bolsa para as três principais marcas japonesas de automóveis, a Toyota, a Nissan e a Mazda.

Mas o peso da Toyota é tanto, como símbolo do empreendedorismo japonês, que a mensagem de Trump foi vista como um aviso do futuro Presidente ao Governo japonês. Trump ameaçou aumentar em 35% as tarifas de importação para as empresas que decidirem construir fábricas no México. Esta decisão está a causar desconforto na maioria republicana no Congresso e vai por certo fazer com que no futuro seja difícil perceber como é que será o convívio entre Trump, um Congresso que é contra o aumento de impostos e taxas e um Governo que é composto em grande parte por elementos que vêm do sector económico. A melhor resposta foi dada por Taro Aso, o ministro japonês dos Negócios Estrangeiros: "A Toyota é responsável por muito emprego em fábricas nos EUA, como a de Kentucky. É questionável que o novo Presidente dos EUA tenha a noção de quantos veículos a Toyota constrói nos EUA." Ou seja, esta é para já uma guerra de palavras. Mas ela é mais vasta do que uma questão económica. Tem que ver com relações políticas e militares. E isso não pode ser esquecido.

 

China: reservas caem

 

As reservas chinesas de moeda estrangeiras caíram 41 mil milhões de dólares para 3,011 triliões de dólares em Dezembro, um valor que se aproxima muito daquele que é considerado um sinal de confiança na sua moeda. Pequim tem vindo a intervir várias vezes em defesa do yuan usando para isso, em 2016, mais de 300 mil milhões de dólares. A China irá continuar a intervir para manter a paridade de 7 yuan para um dólar, mas continua a ter de fazer face a danos colaterais desta acção continuada.

 

Macau: nova ponte

 

A empresa China Road and Bridge Corporation vai conceber e construir a ponte de ligação entre a ilha fronteiriça artificial da ponte Hong Kong/Zhuhai/Macau e a Zona A dos novos aterros urbanos em Macau. A empreitada tem um custo global de 135,3 milhões de patacas (16,9 milhões de dólares) indo ser realizada ao longo de três anos, com conclusão prevista para 2018. Os novos aterros urbanos ficam localizados entre a região oriental da península de Macau, junto ao terminal marítimo do Porto Exterior e ao Reservatório e a ilha artificial onde irão funcionar os serviços associados à ponte Hong Kong/Zhuhai/Macau.

 

Irão: morreu Rafsanjani

 

O antigo Presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, de 82 anos, morreu no domingo em Teerão. Rafsanjani foi uma das mais influentes figuras políticas do país nas últimas décadas e foi Presidente do Irão entre 1989 e 1997. Nas eleições presidenciais de 2005 foi derrotado pelo mais radical Mahmoud Ahmadinejad. Nunca se retirou da vida política, tendo sido nesses anos uma figura de moderação face aos defensores da linha dura do regime. Em 2013, a sua candidatura à presidência foi rejeitada devido à sua idade, mas acabou por ser um apoiante do vencedor, Hassan Rouhani.

 

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