António Moita
António Moita 17 de setembro de 2017 às 18:55

Precisamos de políticos novos. Bons, de preferência

Durante as campanhas eleitorais estamos habituados a assistir a excessos de linguagem, tentativas de vitimização, acusações mais ou menos fundadas e todo um conjunto de artifícios que mais não pretendem do que chamar a atenção de um público cada vez menos atento às mensagens dos políticos.

Nesta campanha autárquica são já evidentes alguns casos em que a disputa eleitoral, mais do que fazer vítimas entre os candidatos, introduz no combate discursos e práticas que apenas contribuem para o afastamento dos eleitores. Se tivermos em conta que em 2013 a abstenção nas grandes cidades foi superior a 50%, fácil será antever as consequências do que está a acontecer.

 

Democracia é o regime em que a soberania é exercida pelo povo através do voto. Sem expressão da vontade popular, o sistema torna-se frágil e fica sujeito a distorções que o ameaçam. Sendo a abstenção um dos sinais da doença, não é, contudo, o único. O progressivo distanciamento dos melhores é outro sinal perigoso do agravamento do problema.

 

As eleições autárquicas deveriam ser um momento de discussão de ideias e de envolvimento das comunidades locais em torno de projetos comuns. Não vejo melhor oportunidade para reforçar os alicerces da democracia e fazer participar no processo todos aqueles que se interessam pelo destino da sua terra.

 

Quando o debate se esgota no ataque pessoal, na insinuação vil, na distorção dos factos, na valorização dos títulos dos jornais, na cedência ao populismo, no esquecimento dos valores, só há uma resposta a dar. Lutar com toda a energia por aquilo em que acreditamos. Votar no próximo dia 1, mais do que escolher o nosso candidato local, significa afirmar que acreditamos na democracia, que temos esperança no futuro, que queremos contribuir para encerrar o ciclo de lideranças que nos afastaram da vida política e abrir espaço a quem acredita na transparência como regra para o exercício do poder e na probidade como condição indispensável ao desempenho de um cargo público.


Jurista

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
KAMBADA Há 3 semanas

Pois é, mas com a TRAMPA que por aí temos nas quadrilhas de oportunistas e vigaristas que fazem escola nas Jotas para se instalarem nos poleiros do Estado, os portugueses contribuintes estao feitos. Quando vejo as listas dos candidatos autarquicos verifico que a maior parte nunca trabalhou.

Mr.Tuga Há 4 semanas

Por isso já não gasto solas para ir votar em politiqueiros de TRAMPA cá da cagadeir+a atrasada e mal frequentada...

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