Roland Berger
Roland Berger 23 de Outubro de 2016 às 17:30

Próxima paragem digital: sector da construção

A transformação digital chegou e rapidamente se está a alastrar à generalidade das indústrias provocando um impacto impossível de ignorar pelos agentes instalados. A dimensão deste impacto tem sido tanto maior quanto menor é a capacidade de adaptação destes agentes.

São inúmeros os exemplos que se observam em diversas indústrias, desde o impacto do Netflix na distribuição de conteúdos ao do Airbnb no sector hoteleiro.

 

É razoável assumir que no sector da construção também não há alternativa senão seguir pela via digital.

 

Um estudo da RB evidencia que embora os agentes na construção reconheçam a relevância do digital ainda não avançaram para a fase de implementação. Actualmente, neste sector, para obter ganhos na produtividade é fundamental adoptar esta tendência.

 

Uma via poderá ser transformar a obra num "ecossistema inteligente" utilizando ferramentas já disponíveis de forma alinhada. Um exemplo seria conciliar um software de suporte logístico (garantindo entrega de materiais no momento exacto da sua utilização) com máquinas de construção inteligentes a operar de forma automática e coordenada, poupando assim custos de armazenamento e tempo dos trabalhadores em contínuas deslocações.

 

Outra via (complementar) será adoptar o BIM (Building Information Modeling(1)). Este sistema consolida uma extensa quantidade de informação digital relativa a todas as fases de uma obra (plano, construção e logística) e permite a realização de simulações onde quantifica potenciais custos adicionais e propõe alternativas. O BIM abre ainda a possibilidade de conectar diferentes intervenientes no processo, como arquitectos e diversos fornecedores, promovendo a escolha das melhores soluções a cada fase com impacto directo tanto na qualidade e velocidade do projecto como no alinhamento orçamental.

 

São inúmeras as possibilidades e caberá a cada empresa definir como é que o digital irá transformar o seu negócio.

 

Em Portugal observa-se alguma reanimação do mercado habitacional, no entanto, a natureza do negócio e a evolução do perfil comprador apontam para uma maior procura de ofertas inovadoras onde o factor digital será decisivo. Os agentes que adoptarem as soluções digitais nas diferentes fases da cadeia de valor obterão benefícios como eficiência, qualidade, conhecimento contínuo e consequentemente mais vendas e melhores margens. Do lado oposto, os que optarem por não seguir esta via correm sérios riscos de se posicionarem atrás dos seus rivais ou mesmo de extinguirem o seu negócio.

 

(1) Modelo de Informação da Construção

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