Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 20 de dezembro de 2016 às 00:01

Próximo do abismo

Quatro décadas depois, os comunistas portugueses pretendem abandonar o euro e reestruturar a dívida, como se ignorassem que isso destruiria as poupanças que os portugueses aplicaram em títulos de dívida e faria desaparecer dos balanços dos bancos as aplicações em dívida pública portuguesa.

A FRASE...

 

"Uma campanha visando ampliar o esclarecimento da insustentabilidade dos constrangimentos e imposições da União Europeia, e a mobilização de vários sectores da sociedade para a necessidade e possibilidade da libertação da submissão do Euro, pela produção, o emprego e a soberania nacional."

 

Jerónimo de Sousa Público, 18 de Dezembro 2016

 

A ANÁLISE...

 

No que deverá ser o início das comemorações portuguesas dos cem anos da Revolução de Outubro, Jerónimo de Sousa anuncia as jornadas de esclarecimento da insustentabilidade de Portugal na União Europeia. Seria útil, porque mais rigoroso, organizar em simultâneo as jornadas de esclarecimento da insustentabilidade de Portugal fora da União Europeia. Para escolher entre alternativas, não basta selecionar uma e rejeitar a outra, é preciso mostrar que entre duas insustentabilidades não serve para nada escolher uma e deixar tudo o resto na mesma.

Portugal não apresentou o pedido de integração na Comunidade Económica Europeia por imposição externa ou por capricho de dirigentes políticos. Teve de o fazer porque, depois do fim do império, ficou sem a escala de mercados em que se baseava o seu modelo de desenvolvimento, e porque, depois da nacionalização dos centros de acumulação de capital privados, ficou sem dispositivos de formação de capital para sustentar as suas necessidades de investimento empresarial. Nesses dois acontecimentos centrais da mudança do regime político, os comunistas portugueses tiveram papel de relevo - mas nem alargaram a escala da economia portuguesa, nem fizeram das empresas públicas centros de acumulação de capital.

Quatro décadas depois, os comunistas portugueses pretendem abandonar o euro e reestruturar a dívida, como se ignorassem que isso destruiria as poupanças que os portugueses aplicaram em títulos de dívida e faria desaparecer dos balanços dos bancos as aplicações em dívida pública portuguesa. Destruídos os últimos vestígios de capital existente em Portugal, não poderia haver recurso ao Banco Central Europeu e não se poderia emitir novos títulos de dívida. Na borda do abismo, seria o passo em frente revolucionário.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado Anónimo 20.12.2016

Passemos então ao facto que diz que o comunismo é que melhor defende os jovens..

Porque é que então a maioria do apoio ao PCP vem das pessoas mais velhas?
Eu como mais jovem, vejo me obrigado a trabalhar mais 5 horas por semana porque os comunistas apenas lutaram para as 35 horas dos funcionários públicos, não querendo saber dos trabalhadores do privado nem dos contratados por empresas do sector público?
Porque é que o PCP quer aumentar as reformas dos mais velhos, carregando nos impostos dos que, como eu, nunca receberão uma reforma equivalente?

Mas resumindo, o comunismo tem mais de 100 anos, diga me um país que seja comunista que não tenha se tornado ditadura ou ido à falência...

se existe um sistema que em 100 anos nunca deu bom resultado, apesar de na teoria ser interessante, não vale apenas chuveiro no molhado..

Tenho mesmo curiosidade em saber um país em que o comunismo não acabe em ditadura ou fome....

comentários mais recentes
Caro Joaquim Aguiar 29.12.2016

Essa é a SUA opinião. Não sou comunista mas quero sair desta UE que é apenas um somatório de tachos. Referendem, o meu caro vota para ficar e eu voto para sair.

Jorge Cunha 21.12.2016

ESTES COMUNISTAS SÃO A

Rado 20.12.2016

Comunistas e bloquistas parece vivem noutro planeta.

jose 20.12.2016

A dívida portuguesa é a 5ª maior do mundo. Para a frente é que é.

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