Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 22 de junho de 2017 às 20:57

Quando dar o melhor não chega

Ninguém duvida de que os profissionais envolvidos no combate aos incêndios na tragédia dos últimos dias, desde os bombeiros e agentes da GNR até aos técnicos das várias entidades e aos muitos voluntários, deram o seu melhor.

Mas não chegou. E esse é o problema: quando dar o melhor não chega algo de grave se passa.

 

A época de incêndios é o que é grave. Como referiu Dom Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal Portuguesa, "não temos nada de ter uma época de incêndios". Hoje o objectivo do país só pode ser esse: acabar com a época de incêndios. A geografia portuguesa, as florestas, a vegetação e o mato têm especificidades que dificultam a prevenção e o combate aos fogos. Mas nada legitima o conformismo de se viver com uma "época de incêndios".

 

Dar o melhor, como se viu, não chega. No país que combate os fogos, como noutros problemas nacionais, a dimensão dos problemas não pode ser resolvida apenas com muito esforço. O que faz a diferença não é o funcionamento da cadeia de comando. É um sistema, assente no melhor conhecimento disponível, focado na prevenção. E é o preenchimento desse sistema de prevenção e de combate, nos planos técnicos e de liderança, com base no mérito e na responsabilização.

 

Hoje é por aqui que tem de se começar. Pelo apurar exaustivo das causas da tragédia, por parte de uma comissão tecnicamente competente, independente e desligada dos vários actores, preferencialmente vinda de fora e sem interesses na realidade portuguesa.

 

Ser objectivo e não dourar a pílula é o primeiro passo para mudar as coisas. Não esqueçamos o que todas as catástrofes são sempre: um aviso para uma catástrofe maior. 

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