Rui Barroso
Rui Barroso 23 de julho de 2017 às 20:30

Quando o banco central passa a dono da bolsa 

Tempos excepcionais. Medidas excepcionais. Nos últimos anos, os bancos centrais tiveram de entrar em território desconhecido para segurar a economia e espicaçar a inflação.

E o Banco de Japão foi forçado a ir mais longe do que qualquer outro. Imagine-se um cenário na Zona Euro em que além da compra de obrigações soberanas e de empresas, o BCE fosse forçado a comprar fundos negociados em bolsa (ETF) que replicam índices accionistas europeus. E que, mesmo assim, a economia e a inflação não iriam para os valores pretendidos, forçando o BCE a intensificar o ritmo dessas compras. E que, devido a isso, o banco central se tornasse o detentor de 71% do valor sob gestão dos ETF de acções europeias emitidos no Velho Continente e, consequentemente, o maior accionista de dezenas de empresas cotadas. É isso que está a acontecer no Japão e a causar dores de cabeça não só em alguns responsáveis do próprio banco central como no líder da bolsa do Japão. Akira Kiyota mostrou preocupações que a baixa volatilidade causada pelas compras afaste os investidores. A este ritmo, a bolsa do Japão arrisca-se a ser um armazém de activos a serem usados para efeitos de política monetária, em vez de um mercado em normal funcionamento.

 

Jornalista

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ricardo 24.07.2017

O Japão quer-me parecer que está a ir longe demais (o controlo poderá ser demasiado) quanto ao resto tudo ok. O mundo é dinâmico e nada como se descobrirem melhores formas de regulação e novos "papeis" para as instituições. O BCE quer-me parecer está a fazer um bom trabalho no reequilibrio da EU.