Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 10 de agosto de 2017 às 20:20

Quando o bom humor é mau

Um estudo da Universidade do Missouri mostrou que a eficácia do humor do líder depende da qualidade das relações humanas na equipa de trabalho. Ou seja, o humor, em si mesmo, não é bom nem mau; é um amplificador.

O humor pode ser importante no ambiente profissional. O riso é um meio utilizado para olear o dia-a-dia. Há a tendência, muitas vezes inconsciente, de os profissionais se rirem do humor, ou das tentativas de ter graça, dos superiores hierárquicos, do chefe, do mandão do departamento, etc. É um comportamento expectável, que liga as pessoas e indica apoio. Os líderes formais ou informais tendem também a usar o humor para ganhar influência. Contam histórias e pequenos episódios com piada; o grupo ri-se, as pessoas sentem-se bem, o que é bom para o líder, para o grupo e para o trabalho. De algum modo, um líder que faz o seu grupo sentir-se bem é um bom líder.

 

Mas nem sempre uma boa piada ajuda. As coisas não são lineares. Nem sempre o bom humor é bom; nem sempre o mau humor é mau. Em geral, pensa-se que os líderes devem evitar zangar-se, que a má-disposição e a ironia deitam tudo a perder e que a boa-disposição faz milagres.

 

Um estudo da Universidade do Missouri mostrou que a eficácia do humor do líder depende da qualidade das relações humanas na equipa de trabalho. Ou seja, o humor, em si mesmo, não é bom nem mau; é um amplificador. Se a relação entre profissionais é boa, então o humor ajuda a satisfação no trabalho e a obter bons resultados.

 

"Em vez de usarem o humor para querer construir bons relacionamentos" - diz um dos investigadores -, "os líderes devem primeiro desenvolver boas relações, assentes na clareza, no tratamento justo e no diálogo". Nesse quadro o humor vai ter um bom impacto. O humor é importante, mas a boa relação humana está primeiro.

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

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