André  Veríssimo
André Veríssimo 10 de Outubro de 2016 às 09:21

Quando a libra vem abaixo

A libra esteve a cair 6% contra o dólar no espaço de dois minutos na sexta-feira. Pode parecer pouco, mas no mercado cambial e numa das divisas mais negociadas do mundo, é um "crash". Neste caso um "flash crash". Mais um, a obrigar que se reflicta sobre o papel dos supercomputadores e dos algoritmos nos mercados.


"Ultimamente, têm-se muitos 'crashes' devido aos computadores e ao crescimento de produtos derivados que permitem fazer apostas alavancadas. A menos que os reguladores comecem a olhar de forma séria para o papel crescente das máquinas nos mercados, os 'flash crashes' serão mais comuns", avisa Christopher Langner, na Bloomberg. O tema tem sido caro ao regulador português. Carlos Tavares, o seu presidente, afirmou recentemente num evento da CMVM que tem "muitas dúvidas de que os benefícios [da negociação de alta frequência] compensem os riscos". Vem aí uma nova directiva europeia que dá algumas armas aos supervisores, mas só entra em vigor daqui a mais de um ano. Carlos Tavares deixa um apelo: "É tempo de os reguladores financeiros regularem esta matéria."

Ainda que ninguém saiba ao certo o que o causou o "flash crash" da libra. O Banco de Inglaterra já anunciou uma investigação, mas não se pode ignorar o substracto em que a violenta queda nasceu: a vulnerabilidade em que o Brexit colocou a libra, que se acentua sempre que responsáveis políticos exibem a retórica de que abandonar a UE terá um preço. No minuto exacto em que se iniciou a queda abrupta, o Financial Times publicou uma notícia com as palavras ríspidas de François Hollande: "O Reino Unido decidiu pelo Brexit, acredito que um Brexit duro. Bem, temos de seguir plenamente essa vontade do Reino Unido para abandonar a UE. Temos de ter esta firmeza." A libra continuará vulnerável à pressão política. Mas não será isso que o Reino Unido pretende para ajudar a amortecer o impacto económico do Brexit? Afinal a bolsa de Londres até subiu para perto de máximo histórico, à boleia das exportadoras.


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Troll Há 3 semanas

O problema sao os computadores ou os produtos alavancados???

O casino continua, a crise de 2009 nao serviu de nada, continuam a vender banha da cobra que ninguem sabe o que e como se fosse algo fantastico.
Pode ser q o proximo estouro seja de vez, mas duvido.

Anónimo Há 3 semanas



PS . BE . PCP são uns PHILHOS DE PHU TA que xupam o sangue ao POVO...

para dar mais dinheiro e privilégios aos FP & CGA.


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