João Quadros
João Quadros 29 de dezembro de 2017 às 09:57

Quanto mais me financias, mais gosto de ti

Se os partidos acham que era injusto o IVA que pagaram em tempos e querem recebê-lo de volta, eu também quero receber o IVA que paguei a mais nos restaurantes no tempo da PAF.
Queria começar esta crónica desejando um magnífico ano de 2018 para todos os leitores, excluindo os que pertencem a partidos. A esses é escusado desejar porque já o garantiram. Isto foi a forma irónica - ou, segundo o spin partidário, populista - de fazer uma "piada" à recente lei do financiamento dos partidos.

Para começar, o facto de termos de acautelar um limite para as doações é uma espécie de confissão dos partidos - agarrem-me, senão eu roubo. Vou usar de todo o meu populismo para dizer que somos um país onde os políticos ganham pouco, mas gastam muito.

Podíamos estar aqui horas a falar da forma e conteúdo desta nova lei, mas estamos todos demasiado cansados das consoadas e das conversas em família. Das alterações à lei, a que me faz mais confusão é a isenção total de IVA para os partidos políticos, com efeitos retroactivos.

Vamos lá ver. Se os partidos acham que era injusto o IVA que pagaram em tempos e querem recebê-lo de volta, eu também quero receber o IVA que paguei a mais nos restaurantes no tempo da PAF. Este Governo já confirmou que era injusto. Isenção do IVA com efeitos retroactivos aos processos pendentes dá vontade de chorar, não fosse o IVA dos lenços.

Acho espectacular que se pague IVA de fraldas e que, a seguir, se façam comícios e as bandeiras não paguem IVA e nem para limpar o rabo servem. Segundo o que li, os partidos passam a ter IVA mais favorável do que as IPSS. Pelo menos, já dá para comprar verdadeira roupa de alta-costura.

O mais extraordinário do spin partidário é o querer reduzir a indignação de muitos a populismo, logo aqueles que todos os dias o usam. A forma de tentar anular uma indignação que, estranhamente, muitos sentem é tentar diminuir intelectualmente quem a tem. Não resulta porque somos nós que vamos votar em vocês. A verdade é que, talvez por isso, julguem que somos intelectualmente fraquinhos.

Tal como resulta mal as falsas virgens ofendidas. Ver Santana Lopes e Rui Rio ficarem chocados com esta lei é o tipo de lição de moral que não consigo aceitar. É como ver Maradona chocado com o doping no ciclismo. Ou ver Assunção Cristas, agora, depois de meses e reuniões mais secretas do que aquelas a que vai o Nuno Magalhães na casa Mozart, vir dizer que saltou fora. Imagino que jamais o CDS vai aceitar devoluções e IVA, a não ser que venham em nome de um Jacinto Leite Capelo Rego. O CDS é o partido que fica do outro lado do muro a guardar enquanto os outros vão roubar as nêsperas, mas se aparece o dono diz que os outros foram às nêsperas.

Para acabar, o nosso sempre presente e opinativo Presidente Marcelo diz que não pode pronunciar-se "já" sobre as alterações à lei do financiamento dos partidos. Fico impressionado, até sobre o sentido da vida ele conseguiria falar mas, sobre isto, tem de meditar.

Termino como comecei, desejando um bom ano de 2018 para todos e uma excelente passagem de ano, mas deixo uma sugestão: depois desta lei do financiamento dos partidos, proponho trocar as cartolas compradas pela CML por auréolas para todos os portugueses. Bom ano.

top-5

Financiamentos

1. Costa faz as últimas compras de Natal no mercado de rua do Príncipe Real - Se estivesse na Raríssimas...

2. Braga. Dois anos e quatro meses de prisão efectiva por roubo de tablet - O Salgado roubou o equivalente a meia Apple.

3. Empregados de lar de idosos ganham 10 milhões na lotaria de Natal de Espanha - Lá vão os velhotes ficar sozinhos.

4. Doces e salgados proibidos nos hospitais - Só entra legionela.

5. Portugal perto de défice zero até Setembro - Vão distribuir dividendos por todos. 




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comentários mais recentes
Anónimo 03.01.2018

Vizinho com auréola:
“Bom ano
para
todos
Bom
para todos
menos para
o
Rego
Se é
bom
tem que cheirar
bom
bom não
bem“

Bom ano

Ó João! 01.01.2018

O Sr João no tempo da PAF ainda podia ir comer aos restaurantes e pagar ,o que significa que vivia numa democracia plena :ganhava ,comia e pagava ! Ou seja ,não vivia numa democracia de pernil tipo Maduro. Com as benesses conseguidas na democracia do porco gordo qd elas acabarem vêm ai a do pernil

Anónimo 31.12.2017

O perfeito idiota com espaço para escrever! Se em vez de reclamar o IVA que pagou a mais no tempo da PAF, que tal exigir uma descida do IVA na conta da luz que seria para todos os portugueses e não apenas para os que têm dinheiro para jantar fora?

Invicta 30.12.2017

Este nem com a cabeça rachada e metendo lá dentro o que de direito, se lá vai. Fala do CDS, que votou contra, mas esquece o BE e o PCP que votaram a FAVOR e que depois de verem a reação da opinião pública, dizem que não concordam com o que votaram. Quem fez melhor figura?

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