Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 28 de setembro de 2017 às 20:20

Quase ganhar

Se ganhar é bom, por vezes, quase ganhar também é. Vencer dá sentido de realização, de capacidade, a química da recompensa dispara no cérebro e sentimo-nos bem.

Mas nem sempre se ganha, é um facto. Ninguém tem sucesso sempre. Por isso, a pergunta: quase ganhar é bom ou mau? 

 

Contrariando ideias feitas - que nos dizem que o segundo é o primeiro dos últimos -, investigação recente indica que quase ganhar é bom. Não é o mesmo que ganhar, evidentemente, mas quase ganhar tem muitas vezes como recompensa o impulso, a motivação para o mais depressa possível vencermos mesmo, sentirmo-nos bem e realizados. Quase ganhar pode ser entendido como o anúncio da vitória que está a chegar. Mas há cuidados a ter.

 

Numa experiência entre quase 200 pessoas numa grande loja de um centro comercial, fez-se um sorteio em que a quem saísse seis vezes a mesma letra eram dados 20 dólares para as compras. Os resultados foram condicionados: um terço das pessoas ganhava, saiam-lhe as seis letras; um terço perdia por muito, tinha apenas uma ou duas letras iguais; e o outro terço perdia por pouco, saía-lhe cinco vezes a mesma letra, quase ganhava. A experiência fez-se e as pessoas foram à sua vida. Quando saíram do centro comercial foi-lhes pedido para mostrarem os recibos das compras. O padrão era claro: quem havia feito mais compras era o grupo dos que no sorteio quase tinham ganho. Quase ganharam e estavam motivados, à procura de uma recompensa imediata e as compras foram essa recompensa. O estudo mostra que quase ganhar motiva, mas mostra também que a procura da vitória, de uma recompensa o mais depressa possível, pode ser transferida para outra actividade.   

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