Paulo Carmona
Paulo Carmona 03 de julho de 2017 às 19:00

Que é da sorte?

E não será a este Governo que podemos assacar culpas, apenas responsabilidade politica tal como Jorge Coelho assumiu aquando da queda da ponte de Entre-os Rios.

A FRASE...

 

"António de Costa é um político hábil e um homem de sorte. Apesar da dívida pública gigantesca, o PIB finalmente acelera para um ritmo acima da velocidade de caracol, as contas públicas estão sob controlo e na frente externa está tudo calmo."

 

Armando Esteves Pereira, Negócios, 01 de junho de 2017

 

A ANÁLISE...

 

De facto, António Costa é um politico reconhecidamente muito hábil. No entanto, a habilidade que lhe permitiu este modelo de apoio governativo permitiu-lhe ocupar o poder, mas não o exercer, como seria desejável. Verdade é que é sempre melhor estar no Governo do que fora dele e a sorte dá trabalho, como deu a montar este governo improvável, mas não é fiável. Sem qualquer analogia, como deve ser difícil ser o melhor treinador do mundo e perder jogos porque a bola vai ao poste, à barra, mas recusa-se a entrar…

 

E ultimamente a bola tem batido no poste. Depois do grande empurrão do turismo, do crescimento dos nossos parceiros, do golo do Eder, etc. vieram agora azares que puseram a nu o mau estado do nosso Estado. As matas e uma fiscalização desleixada, a descoordenação dos serviços que deveriam proteger os cidadãos, os roubos de material de guerra por incúria na sua defesa, vieram rachar o verniz dum Estado que não corresponde à ideia de segurança que devíamos esperar. Como aqui bem referiu Alvaro Nascimento, hoje é nas florestas e se for amanhã na saúde, em infraestruturas básicas ou na segurança de pessoas e bens? Será um Estado em que podemos confiar?

 

E não será a este Governo que podemos assacar culpas, apenas responsabilidade politica tal como Jorge Coelho assumiu aquando da queda da ponte de Entre-os Rios. Era então e são-no hoje, estas desgraças recentes, o resultado de muitos anos de desleixo e de mau governo por parte de anteriores ministros e tutelas. Há, no entanto, uma responsabilidade objetiva deste e do anterior governo pela austeridade praticada, especialmente no último ano, com as cativações aos serviços públicos que puseram em causa o regular funcionamento de serviços, manutenção de material de transporte, estradas, etc. Quando vemos um ministro confessar que já tinha autorizado a compra duma cerca para Tancos no valor de 300 mil euros vemos o grau de autonomia financeira e rapidez da Administração Pública. Ter um défice mínimo tem custos, não há milagres…

 

Que a sorte volte a Portugal, e discutamos seriamente o estado do Estado, sem mais azares que nos obriguem a isso.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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