Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 26 de outubro de 2017 às 20:10

Quem os deuses querem destruir

Porque é que muito boa gente, jovens, a quem um dia chamaram promessas, nunca chegaram a ser verdadeiramente bons? Nunca tiveram as vitórias e os desempenhos excepcionais que todos esperavam?

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As pessoas são diferentes, é óbvio. É natural que na infância ou na adolescência uns manifestem capacidades para isto e outros para aquilo: o Manuel é excelente no piano, promete; a Maria tem um jeito nunca visto para o ballet, promete; o António é só ideias, sempre foi assim, é um empreendedor nato, promete. Pode ser. Pode ser que aconteça, sobretudo se as expectativas ajudarem a desencadear o tipo de comportamentos que leve ao sucesso: a aprendizagem e a melhoria contínua assentes na capacidade de reagir aos erros. Mas não é fácil. Ser visto como uma promessa, do piano, da pintura, do futebol, das empresas, disto e daquilo, leva a que muitas vezes essas expectativas nunca se concretizem. Isto é, ser uma promessa pode prejudicar o desempenho de forma decisiva. "Aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiro chamam-lhes promessa", escreveu Cyril Connolly, romancista inglês. Porquê?

 

A resposta é esta: porque quem é uma promessa tende a acreditar que de facto o é. E baixa o esforço, porque acredita que é um talento inato; à volta dele dizem-lhe o mesmo.

 

Mas a ele, como a toda a gente, de vez em quando as coisas correm mal. Erra e não ganha. E o que faz a promessa? Acha estranho, não gosta, culpa os outros, as circunstâncias, e com o passar do tempo vai arriscar menos. Os erros desmentem que ele seja a promessa que acredita ser. Por isso, defende-se cada vez mais e arrisca cada vez menos; não melhora, não avança e o sonho não vai concretizar-se.

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