Fernando  Sobral
Fernando Sobral 19 de Outubro de 2016 às 09:44

Quem se vai sacrificar pela governabilidade em Espanha?

No meio dos diferentes escândalos de corrupção, que corroem o PP espanhol por dentro, Mariano Rajoy continua a governar em suspenso.

Duas eleições depois, não há executivo eleito democraticamente à vista. O PSOE fez cair o líder e agora não sabe se vota contra ou se abstém quando Rajoy apresentar a sua nova proposta de Governo. Arcadi Espada, no El Mundo fala de "sacrifício": "O Partido Socialista está a escolher os 11 patriotas que se abstenham e salvem a Espanha. Creio que é meu dever ajudar e expor alguns critérios para o difícil processo de escolha. Não deve haver mulheres. (…) Catalães também não: o socialista catalão está em fase de extinção. (…) Espero que a organização socialista esteja perfeitamente consciente dos irreversíveis danos colaterais da sua acção patriótica."

No El País, José Moisés Martín Carretero tem outra perspectiva: "Nos próximos dias, o PSOE deve tomar uma decisão transcendente sobre o futuro do nosso país: votar de novo não à investidura de Mariano Rajoy como presidente do Governo ou abster-se e facilitar a formação do Governo. (…) A pergunta que o PSOE se deve perguntar é se quer contribuir para a crescente polarização ou jogar um papel moderador na vida política espanhola." Preto no branco, é o que pede Miquel Roca i Junyent no catalão La Vanguardia: "Neste momento não há mais lenha para arder: ou Mariano Rajoy é investido presidente do Governo ou há novas eleições. Agora já não é possível especular com nenhuma outra maioria alternativa. (…) Ou Rajoy ou novas eleições. Isto parece que todos aceitam, mas alguns dissimulam ou fazem-se distraídos. Alguns não querem eleições nem Rajoy e olham fatalmente para o horizonte com a esperança que ali apareça uma solução que não tenha nenhum custo para eles." Os próximos dias nos dirão se o PSOE tem 11 deputados prontos para o sacrifício ou se vamos ter novas eleições em Espanha.


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