Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 10 de Novembro de 2016 às 20:35

Recado americano para a Europa

Se a Europa Ocidental votasse nas eleições dos Estados Unidos da América, Hillary Clinton teria sido eleita. Só assim se compreende a onda de assombro e de alguma arrogância que varre o Velho Continente, de Lisboa até Berlim.

Eleições democráticas deram vitória a um milionário que ficou popular por um "reality show" onde despedia os concorrentes com um emblemático "you're fired".

 

E esse grito calou fundo na América rural, das cidades industriais do "rust belt" ameaçadas pelo desemprego provocado pelo encerramento das fábricas varridas pela  globalização. Pessoas  vítimas de processos de deslocalização industrial que só se preocupam com os custos financeiros. Essa América sem voz, a mesma do filme (de 1990) "Roger e Eu", de Michael More, deu a vitória a um candidato que mesmo a elite do seu partido considerava na mais benévola classificação um "palhaço".

 

O desenho constitucional americano impede que Trump seja tão mau Presidente como muita gente bem pensante prevê. E sendo um homem inteligente (obviamente é) até pode surpreender.

 

Mas do lado de cá do Atlântico há legítimas razões para ficarmos preocupados com o recado da democracia americana. Tal como no Brexit, os americanos votaram contra o sistema, contra os burocratas que não ligam às preocupações reais das pessoas, contra a falta de esperança. Numa Europa anémica, com um exército de desempregados, que vê os seus filhos a ter um nível de vida pior do que a geração dos pais, com uma onda massiva de nova migrações ameaçar valores culturais e pressionando os salários dos trabalhadores menos qualificados, o pior pode acontecer. E o pior para a actual União Europeia é uma vitória da senhora Marine Le Pen nas próximas eleições francesas. Nesse caso, a comunidade que garantiu a paz e até recentemente a prosperidade na Europa corre o risco de acabar. E Portugal não tem plano B para esse cenário.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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mais votado surpreso Há 15 horas

Sempre o povo que vota,a estragar o arranjo dos jornalistas e "analistas"

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

Os defensores da arrogância também a proclamavam quando um certo treinador de futebol destilava soberba...agora anda caladinho...

fern barreira Há 4 semanas

" que vê os seus filhos a ter um nível de vida pior do que a geração dos pais", isso sera porque nas passadas decadas a malta viveu muinto acima das posses (gastara tambem a fatia destinada aos filhos) e agora que o credito facil acabout so ha calotes. e triste ver a ditadura EU destruir europa

00SEVEN Há 5 horas

Meu caro Armando:
Não se preocupe porque temos o Costa que tem sempre um plano B que é secreto!
Mas uma Europa que tem um comissário europeu chamado Juncker que foi um especialista a costurar leis no Luxemburgo quando era primeiro ministro, para ajudar as multinacionais a fugirem a impostos nos países de origem e que teve uma moção no parlamento europeu contra mas que acabou por vencer, espera o quê?

surpreso Há 15 horas

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