Fernando  Sobral
Fernando Sobral 27 de Dezembro de 2016 às 10:16

Reflexões de Natal e preocupações políticas

George Michael morreu. Ele, o autor de uma das canções mais escutadas em cada Natal, "Last Christmas", faleceu nessa época festiva.

É o fim de uma era de inocência. Talvez assim se compreenda o que David Ferguson escreve no Guardian: "Vou ser honesto com vocês: neste Natal apenas queria espojar-me por aí. Este ano não queria fazer um acordo com uma árvore. Não queria fazer assados nem cozinhar nem combinar nada com os meus amigos, ir a algum lado ou ver alguém. Queria isolar-me na minha casa e sucumbir à minha tristeza e ouvir John Mitchell a cantar 'River' vezes sem conta enquanto comia pacotes de Amêndoas Roca e inquietar-me sobre a possibilidade da vida sob o fascismo". Um Natal triste, é claro.

No Spectator, Taki, o grande espectador (e actor) da vida dos mais ricos, fala deste tempo: "Os americanos estão sempre desesperados por ser felizes, mais do que as outras pessoas, pelo menos pelo número de livros de auto-ajuda sobre a felicidade que são publicados e vendidos todos os anos na América". Mas, acrescenta: "No fim, a obsessão da América com a felicidade é melhor que a fixação britânica com a amargura". E é bem capaz de ter razão. O Natal fez com que John Rentoul, no Independent, pensasse sobre a qualidade dos políticos de hoje. E ele diz: "Não deveríamos desesperar com a qualidade dos mais recentes deputados. Talvez o que mudou foi que a política agora é mais rápida e assim é mais difícil identificar o talento, até porque o processo de o descobrir é agora também mais rápido". E ele recorda que: "Lembro-me de quando Tony Blair começou na sua campanha para a liderança do Labour, parecendo um Bambi, o quão frágil ele e a sua operação pareciam. Parecia que tudo colapsaria a qualquer momento e que Michael Heseltine seria primeiro-ministro durante anos". E não foi assim.

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