Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 07 de Novembro de 2016 às 18:04

Renovação do tecido empresarial: precisa-se. Mais do que investimento!

Dependemos, sim, do Governo - a quem compete criar as condições de base -, mas sobretudo dos gestores - que têm sempre sabido estar à altura dos incentivos!

A FRASE...

 

"Projetos entre empresas e universidades dispararam 72% no último ano."

 

Manuel Carvalho, Público, 7 de Novembro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

Tem sido apontado vezes sem conta a insuficiência do investimento para colocar Portugal numa trajetória de crescimento e de criação de emprego. Trimestre atrás de trimestre, as estatísticas dão conta de quebras sucessivas, enquanto os media anunciam a suspensão de novos projetos, cuja realização fica adiada para quando da conjuntura económica soprarem ventos mais favoráveis. E, quando se relê o título da notícia do Público, o investimento apela de novo à reflexão. Tema ademais oportuno, quando Portugal acolhe a Web Summit.

 

Uma das mais graves insuficiências do investimento em Portugal não tem dimensão física e muito dificilmente encontra expressão numérica nos balanços das empresas e nas estatísticas nacionais. Estamos a falar do desenvolvimento do capital intangível, porque a verdadeira competitividade empresarial está para além da dimensão puramente tecnológica. Está na capacidade de resposta simultânea às exigências da eficiência - i.e., produzir ao menor custo - e dos fatores de risco - i.e., inovar num mundo em mudança permanente. O sucesso reside na organização para a inovação e para a escolha do posicionamento na cadeia de valor.

 

O investimento em organização não tem o imediatismo nem a expressão dos grandes números do capital físico - e.g., edifícios e equipamentos -, mas produz resultados muito mais duradouros. Um ecossistema favorável ao crescimento empresarial retira riqueza da diversidade, acomodando em harmonia negócios novos e tradicionais, start-ups e "scale-ups". Ao permitir que o conhecimento disperso e acumulado se possa traduzir em modelos sustentáveis, há a esperança de tirar o tecido produtivo português da letargia das muito baixas taxas de rentabilidade (que é o mesmo que dizer, baixa produtividade). Dependemos, sim, do Governo - a quem compete criar as condições de base -, mas sobretudo dos gestores - que têm sempre sabido estar à altura dos incentivos!

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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