Jorge Marrão
Jorge Marrão 06 de setembro de 2017 às 21:01

Resignados e cativados

A direita e o centro-direita que nasceu após o 25 de Abril não teve receio de enfrentar o socialismo marxista, os apetites ditatoriais do PCP e dos seus acólitos à época, e colocar-se do lado europeísta social-democrata do PS de Mário Soares.

A FRASE...

 

"Cavaco falou e resmas de nulidades - grosso modo, as mesmas que exigiram e aplaudiram a recolha dos livrinhos - atropelaram-se para condenar o facto."

 

Alberto Gonçalves, Observador, 5 de Setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Todavia, não perdeu a vergonha de ser rotulada como tal. Pior: graceja, critica, fustiga quando pode os líderes que governaram com um programa não socialista (Cavaco Silva, Durão Barroso e/ou Passos Coelho) para parecer bem. Endeusa apenas Sá Carneiro. Talvez explicável pela fugaz governação e mitologia do que poderia ter feito. Ou provinciano, ou suburbano, ou troca-tintas são adjetivos exclusivos a uma corrente política. A família política não esquerdista deste país, em larga maioria, envergonha-se dos seus líderes, usando os tiques de personalidade, tal e qual os filhos ilustres que rejeitam os pais ignorantes e incultos. Se não é a forma, é o conteúdo, ou vice-versa. Tenho de tirar o chapéu à esquerda bem pensante, e à direita politicamente correta que vive e sobrevive na corte do poder: conseguem sempre acantonar os líderes não esquerdistas neste debate. A estes líderes sempre lhes faltará, segundo a economia do papel de jornal e da televisão, qualquer coisa de densidade cultural, sensibilidade social ou de mundividências para atingirem o estatuto de estadistas ou sobreviveram nas conversas das tertúlias politicamente corretas. Não nos preocupemos muito: a não esquerda em Portugal surgirá sempre maioritária para resolver as pesadas heranças das derivas estatizantes e de engenharia social e económica da esquerda. Do regime dos austeros crentes passámos para o regime dos cativos resignados. O tempo será mais uma vez o tira-teimas.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Mario soares 07.09.2017

Ai agora o filho de uma enorme p u t a do marocas é social democrata ? aquele que reclamava pelos xuxas não se tratarem e terem vergonha de dizer "camaradas" é social democrata ? eu tinha ouvido dizer que o polo norte esta a deslocar-se, não sabia que já tinha havido uma inversão do campo magnético

Anónimo 07.09.2017

Eram outros tempos. O PS agora não é mais do que uma enorme agencia de empregos para boys, para isso tem que estar no poder, nem que seja encostando à esquerda e transformar-se num partido socialista/comunista/trotskista.