Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de fevereiro de 2018 às 20:05

Rio é um fruto ou um vegetal?

Em 1893, o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos deliberou que o tomate era um vegetal. A decisão era importante: se o tomate tivesse sido considerado um fruto e não um vegetal escaparia a uma taxa de 10%.

As receitas do Estado falaram mais alto na decisão. A poucos dias de Rui Rio ser entronizado como líder do PSD a discussão não é se ele é um vegetal ou um fruto. Mas, às vezes, parece. Tem por perto uma legião de críticos que consideram que se os seus resultados eleitorais não forem uma vitória, Rui Rio deve ser considerado um vegetal e taxado não com 10%, mas com uma saída sem glória da liderança do PSD. O que vai dar ao mesmo. No horizonte de 2019 estão eleições cruciais para se saber se o PSD floresce ou murcha: as legislativas, as europeias e as na Madeira. Não é pouco. Sobretudo para um líder como Rui Rio que, pelo que se conhece dele, tem um conceito de liderança previsível, sem sobressaltos e sem surpresas. A sua posição política tem algo de liofilizado. Não se espera que Rui Rio promova a agitação, mas sim a tranquilidade e a sesta. É uma táctica política como qualquer outra. Mas deixa muita gente no PSD nervosa. Até porque se Rio optar por viabilizar o OE de 2019 (tentando, com a colagem ao PS, tornar-se o seu BE à direita), duvida-se de que alguém perceba essa indolência.

 

A escolha do líder parlamentar vai permitir perceber um pouco melhor o que deseja para o PSD. E se optar por colocar Salvador Malheiro, o presidente da Câmara de Ovar, como seu braço-direito, muitos terão uma digestão mais lenta. Rui Rio é capaz de ser um militante seguidor de Newton: acredita que a maçã do poder (António Costa) cairá devido ao seu próprio peso. E que isso permitirá ao PSD, sem se mexer muito, regressar a S. Bento. Nessa estratégia, o paciente controlo do tempo é fundamental. Mas 2019 é já aí e Rui Rio poderá ter de se defrontar com aqueles que lerão na sua inacção uma incapacidade para levar o PSD à vitória. Mas começará pela liderança da bancada o julgamento: fruto ou vegetal?

 

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 1 semana

Certo.

José Silva Há 1 semana

Comparação de Rio com tomate parece disparatada ? Se falar-mos do PSD do interior do país e do PSD de Lisboa , então compreende-se . Rio não é lisboeta. E pricipalmente Lisboa , não é o País . Os barões estão agitados por não poderem prever o futuro . Também não conseguiram prever a vitoria de Rio

Ciifrão Há 1 semana

Não entendo o pensamento do articulista, a comparação é meio disparatada. Mesmo a questão do tomate ser fruto ou vegetal não tem esta conotação, óbvio que o tomate é um fruto. Provavelmente o Supremo Tribunal de Justiça decidiu a forma como era comercializado, continuando o tomate a ser o que sempre foi.

antjtavares Há 1 semana

Rui Rio nunca vai ganhar legislativas. Com a cara que tem, com o discurso que tem, com o sotaque que tem, com a idade que tem...

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