André  Veríssimo
André Veríssimo 06 de setembro de 2017 às 21:43

Sai Fischer, entra a desregulação financeira

Stanley Fischer alegou "razões pessoais" para se demitir da vice-presidência da Reserva Federal, nove meses antes do fim do mandato. Aos 73 anos, pode até ter sido a saúde a impor-se. Mas as leituras são outras.
No Financial Times nota-se que a sua saída, pouco tempo antes do fim do mandato como vice, surge num momento de grande incerteza para o Conselho de Governadores do mais influente banco central do mundo, deixando vazias quatro das suas sete cadeiras. E prenuncia uma mudança não só de caras, mas de política.

A proximidade entre Fischer e Janet Yellen leva a Capital Economics a concluir que as probabilidades de a presidente da Fed se manter no cargo diminuíram. Um tema sobre o qual ambos têm expressado opiniões vincadas é o risco de optar pela desregulação financeira, a via defendida pela administração Trump. Yellen fez desse o ponto central do seu discurso em Jackson Hole. Fischer afirmou ao Financial Times que o poder político americano "pode estar a conduzir-nos numa direcção que é muito perigosa", ao querer "regressar ao ‘status quo’ anterior à crise financeira".

A desregulação na era Clinton é apontada como uma das causadoras da crise financeira. Também é verdade que na reacção às tempestades o pêndulo tende a balançar demasiado na direcção oposta. Serão Trump e a sua equipa de ex-Goldman Sachs os homens ideais para encontrar o equilíbrio? Dificilmente... 

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