Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 18 de junho de 2012 às 00:41

Sem união bancária vai tudo ao fundo

Jens Weideman, presidente do Bundesbank, em entrevista a três jornais do sul da Europa ("Público" em Portugal), negou a utilidade de uma terceira injecção de liquidez do BCE para aliviar a pressão sobre as taxas de juro da dívida soberana.
Jens Weideman, presidente do Bundesbank, em entrevista a três jornais do sul da Europa ("Público" em Portugal), negou a utilidade de uma terceira injecção de liquidez do BCE para aliviar a pressão sobre as taxas de juro da dívida soberana. A operação não resolveria nada porque o dinheiro cedido aos bancos do "sul" iria acabar nos bancos alemães. Uma forma simpática de dizer que o mercado não confia nos bancos do "sul" (é por isso que o dinheiro sai para a Alemanha).

Weideman tem razão. O principal problema da zona Euro é, neste momento, a desconfiança bancária. Como não existe um sistema de garantia de depósitos, o mercado considera que um banco alemão é mais seguro que um banco do "sul". É esta drenagem de recursos que coloca as economias do "sul" à míngua: os bancos não emprestam dinheiro porque... não têm (o crédito cresce a taxas negativas em Espanha desde meados de 2009 e em Portugal desde meados de 2011). E não emprestam entre si (o mercado interbancário congelou) porque... não confiam uns nos outros. Ora é este congelamento do mercado do crédito que a Europa tem de resolver rapidamente. Criando uma união bancária com três vectores: mecanismo de garantia de depósitos, supervisão centralizada do sector e mecanismo de recapitalização (com poder para fechar os bancos sem risco sistémico).

A união bancária tornou-se assim mais urgente do que a união orçamental. Porque se o dinheiro continuar a fugir do "sul" não haverá crédito à economia; e sem ele não há investimento; e sem este não há crescimento. Mais: milhares de empresas fecharão as portas, engrossando as já elevadíssimas taxas de emprego na Grécia, Itália, Espanha e Portugal.

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comentários mais recentes
jrcoelho 19.06.2012

Porque é que o dinheiro sai do sul?
por não haver crédito á economia?
Não será por o poder político transmitir constantemente uma insegurança relactiva a contratos violados unilateralmente?
Aumentos de impostos e impostos novos a cada semana ?
Não será a impossibilidade de cada empresa projectar o investimento no futuro, com receio das proximas surpresas semanais ?
Não será o temor dos poucos particulares que ainda podem constituir poupança, de usarem para depósito, bancos na mira dos especuladores ?
Convem explicar !
Dizia a minha mãe: ' Nunca se deve cuspir para o ar; pode-nos cair em cima !'

Di Lisboa 19.06.2012

Caro participante,
Em relação à sua indicação, que deveria haver uma lei que proibisse tudo e todos de dizerem o que lhes apetece, o Sr também seria um dos prejudicados. Já agora poderia contribuir, se o entender, dizendo o que discorda do Sr Camilo. Eu aproveito para dizer que concordo (mais uma vez) com a exposição do autor.

Anónimo 19.06.2012

E só uma não chega.

O problema não é só a garantia do depósito. É também a moeda depositada.

O dinheiro vai continuar a viajar para a Alemanha enquanto até haver uma garantia que os euros depositados assim ficam acontece o que acontecer ao banco e ao país.

E quem garante?

Anónimo 18.06.2012

Camilo deixa-te de comentários, é por causa destes vossos Blablas (precisas de ganhar uns €) que tudo está assim, reforma-te. havia de haver uma lei que proibisse tudo e todos de dizerem o que querem e lhes apetece. Mais uma vez cala-te e vai trabalhar com uma enxada nas mãos em vez de apenas mandares bitaites.

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