Sem união bancária vai tudo ao fundo
Jens Weideman, presidente do Bundesbank, em entrevista a três jornais do sul da Europa ("Público" em Portugal), negou a utilidade de uma terceira injecção de liquidez do BCE para aliviar a pressão sobre as taxas de juro da dívida soberana.
Jens Weideman, presidente do Bundesbank, em entrevista a três jornais do sul da Europa ("Público" em Portugal), negou a utilidade de uma terceira injecção de liquidez do
BCE para aliviar a pressão sobre as taxas de juro da dívida soberana. A operação não resolveria nada porque o dinheiro cedido aos bancos do "sul" iria acabar nos bancos alemães. Uma forma simpática de dizer que o mercado não confia nos bancos do "sul" (é por isso que o dinheiro sai para a Alemanha).
Weideman tem razão. O principal problema da zona Euro é, neste momento, a desconfiança bancária. Como não existe um sistema de garantia de depósitos, o mercado considera que um banco alemão é mais seguro que um banco do "sul". É esta drenagem de recursos que coloca as economias do "sul" à míngua: os bancos não emprestam dinheiro porque... não têm (o crédito cresce a taxas negativas em Espanha desde meados de 2009 e em Portugal desde meados de 2011). E não emprestam entre si (o mercado interbancário congelou) porque... não confiam uns nos outros. Ora é este congelamento do mercado do crédito que a Europa tem de resolver rapidamente. Criando uma união bancária com três vectores: mecanismo de garantia de depósitos, supervisão centralizada do sector e mecanismo de recapitalização (com poder para fechar os bancos sem risco sistémico).
A união bancária tornou-se assim mais urgente do que a união orçamental. Porque se o dinheiro continuar a fugir do "sul" não haverá crédito à economia; e sem ele não há investimento; e sem este não há crescimento. Mais: milhares de empresas fecharão as portas, engrossando as já elevadíssimas taxas de emprego na Grécia,
Itália, Espanha e Portugal.
camilolourenco@gmail.com
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