Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 09 de novembro de 2017 às 19:46

Ser individualista

O individualismo facilita a inovação. O colectivismo, a acção colectiva.

A cultura portuguesa tem mudado nas últimas décadas, ajustando-se aos novos tempos competitivos globais. Hoje, tendemos a ser mais individualistas do que por alturas do 25 de Abril; valorizamos mais a autonomia, mas em geral estamos ainda longe da cultura norte-americana, a mais individualista do mundo.

 

Pressionados pelos desafios da inovação, hoje sentimos menos o peso das hierarquias, quer profissionais quer sociais; menos do que, por exemplo, as culturas francesa ou japonesa, mas mais do que as culturas nórdicas, onde as hierarquias são vistas como algo instrumental e transitório. Segundo o Índice de Hofstede, um dos modelos de comparação de culturas nacionais mais utilizados, a cultura portuguesa valoriza mais o consenso do que a competição, a ambiguidade do que a agressividade.

 

Nem as culturas masculinas - mais agressivas e focadas nos resultados - nem as culturas femininas - mais consensuais e focadas nos processos - têm uma correlação significativa com a criação de riqueza. Tanto as culturas masculinas, como os EUA ou o Japão, são sociedades ricas, como as culturas femininas, como as dos países nórdicos, também o são. 

 

Já quanto ao individualismo/colectivismo não se pode dizer o mesmo. O individualismo, que enfatiza a liberdade individual e o sucesso, tem vantagens na competição global; dá estatuto social, mas faz a acção colectiva mais difícil. No colectivismo interioriza-se mais os interesses da comunidade, mas encoraja-se a conformidade, o que desincentiva as pessoas a destacarem-se individualmente. Sintetizando, o individualismo facilita a inovação; o colectivismo favorece a coordenação e a acção colectiva. 


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