Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 21 de dezembro de 2017 às 19:48

Ser melhor do que se é

Dar 100% ou dar 150% é uma maneira de falar. O desafio é onde conseguimos chegar. A questão é se o que pensávamos serem os nossos 100% o são mesmo? E muitas vezes não são.

Conseguimos ir mais longe? É possível; mesmo que hoje não seja, pode sê-lo amanhã. As capacidades, o talento e esforço não são nem puramente físicos ou mentais, nem são algo de fixo.

 

O ser humano não é uma máquina, que assente em hardware e software. Se mudarmos o software uma máquina faz outras coisas. Podemos alterá-la ainda mais mudando o hardware: os materiais vários, transmissores mais potentes, memória em mais quantidade, etc. Nas pessoas não é assim. Não é bem assim, porque mais memória, mais força, mais inteligência, mais capacidades são possíveis; mas não são instantâneos.

 

Física, cognitiva e neuralmente as pessoas mudam. Os atletas da maratona têm corações maiores do que o comum das pessoas; mas não nascem com corações maiores. Passam a tê-los ao fim de anos e anos de treino. O mesmo acontece com a competência na generalidade das profissões.

 

Somos aquilo em que nos tornamos. James Counsilman, famoso treinador de natação, comentou: "somos o que somos por causa das pressões a que fomos sujeitos, das adaptações físicas e mentais que tivemos que fazer para reagir. Os nossos corpos, as nossas mentes e as nossas personalidades são o resultado dessas adaptações". O desafio é mudarmo-nos. Mudar não apenas o software - o que sabemos e pensamos - mas também o hardware - as nossas capacidades físicas e cognitivas -, expandindo competências e capacidades. É por isso que se pode dar mais do que 100%. Porque os 100% de hoje podem não passar dos 70% ou 50% de amanhã. 

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