Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 20 de dezembro de 2016 às 18:17

Serial Content

A publicidade tradicional baseia-se na repetição exaustiva e intrusiva de uma ideia simples e direta, o novo marketing de conteúdos contrapõe-lhe a ideia do desdobramento de um tema em vários capítulos e com diversas adaptações aos meios de difusão.

Em vez de uma curta-metragem mil vezes repetida, uma série aberta com continuação nos episódios seguintes e que pode ser seguida em vários suportes (blogue, site, redes sociais, televisão, radio, etc.).

 

A técnica exige desdobrar um conceito em várias ideias chave, que poderão, então, constituir a base de cada um dos capítulos da série. No anúncio inicial convém desde logo dar uma ideia geral do que se poderá esperar sem, no entanto, desvendar ou fazer perder o interesse no que aí vem.

 

As séries podem ser longas, mais de um ano, ou mais curtas, mas exigem sempre uma ordem e uma lógica de transmissão de ideias, ajustada, simultaneamente, ao produto e à audiência. Não procurando "meter o Rossio na rua da Betesga" como o faz a publicidade tradicional que tudo pretende encapsular num slogan, mas com o tempo e o ritmo de quem conta uma história não deixando de fora nada do que é essencial.

 

As séries procuram ganhar a atenção da audiência e, em cada momento, conseguir abrir-lhe o apetite pelos próximos episódios. Conseguir que o potencial cliente em vez de mudar de canal quando surge o tempo dos anúncios, anseie pelo próximo post ou pelo próximo vídeo com a mensagem da empresa. Porque esta lhe interessa, porque quer ouvi-la.

 

A reação dos clientes e potenciais clientes, se medida, estudada e analisada, pode servir para aperfeiçoar a mensagem e melhorar a escolha dos suportes, o que não acontece com as campanhas publicitárias clássicas que, quando não funcionam ou enfrentam reações adversas inesperadas, não podem ser ajustadas têm de ser retiradas, muitas vezes com custos elevados. Nas séries a flexibilidade é grande e o espaço para investigar e afinar é vasto.

 

As vantagens desta técnica são várias, aumenta a produtividade, potencia a utilização de uma diversidade de argumentos agregados num único foco, facilita o planeamento do esforço de comunicação da empresa, responde com rapidez ao feed-back de comerciais e dos consumidores.

 

Os grandes anunciantes portugueses continuam apegados à publicidade tradicional, desperdiçando verbas importantes, não se apercebendo que os seus concorrentes internacionais procuram seguir numa trajetória diferente usando mais racionalmente os seus orçamentos de marketing.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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